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Existencialista
Você sabe
que a existência é apenas uma ponte
e que apesar disso
estamos nela
sem fuga, nem retorno,
e que nossa tentativa
de negar isso
é vã e ilusória.
Sendo assim,
naveguemos,
e juntemos nossas naus,
e ancoremos em portos,
em praias, nas ilhas,
e vivamos a única possibilidade
que nossos corpos traduzem,
sob o sol ou sob a chuva.
Chame isso de amor
ou de vida ativa,
já que a inércia
é contrária a nós,
nós que somos viventes,
que conhecemos bem
a lei de atração dos corpos.
É só o que vale.
Fiquemos à deriva,
ou queimemos nossas naus,
o que importa é o fogo
que nos envolve,
que nos queima
e nos faz deslembrados,
que nos consome
e nos abranda a consciência
do saber amargo
sobre o destino
que a todos reserva
a inevitável certeza
da imobilidade.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 20h13
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Resposta
Ouço teu violão
na noite,
e tua voz tão distante...
Viçosos ambos
no cio da vida,
nas promessas dos dias,
na insânia dos sonhos,
confundindo corpo e alma,
penetrados dos desejos,
dos cheiros, dos anseios.
Ouço teu dedilhar
e lembro teus dedos mágicos
me conformando o sono
de virgem encantada
no palácio das fadas.
Ouço teu desafinar
que soava virtuosismo
e tuas melodias,
trilhas sonoras dos
nossos trajetos de então.
Ouço tudo de novo
nesta noite de hoje
e, no teu violão,
dedilho a minha
réplica de amor
que ouves , embevecido,
na transposição do meu
mágico sustenido.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 10h10
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Na mídia
Vi o menino na tv.
O menino frente à câmera.
O menino era só olhos
que indagavam,
atônitos olhos,
no meio da face impassível.
O menino que olhava
tinha nas mãos uma foto.
O menino procurava
a carne e o sangue da foto.
Buscava seu chão
que desabara.
O menino procurava,
e não entendia
que segurava só um papel.
O menino apertava nas mãos
os rostos sorridentes.
E ainda não sabia
que conservava entre os dedos
os traços, os rostos, os restos
do que procuraria,
sem a câmera de tv,
sozinho,
de olhos indagadores,
pelo resto de sua vida.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 12h06
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Parceria
Minha mão tenta escrita intrigante,
sinuosa e enredeira.
Minha palavra é yara dos rios,
quer ser remoinho, sumidouro,
acredita em abismos,
nas verdades cativas dos sonhos,
nos prazeres do oculto.
Minha letra é capciosa e astuta,
quer companheiros de busca,
quer parceiros e identidades.
Minha escrita arma laços,
trama armadilhas sutis,
urde malhas ardilosas.
Quem sabe,
na solidão de poeta,
minha poesia carente,
em tessitura evidente,
angarie o que procura.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 08h25
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Sobre opções
Quero ser ainda sua
preferida, rainha,
sua musa, sua deusa.
Deixe-me permanecer
nos títulos que me deu,
nos contornos que escolheu,
nos desígnios que me apontou.
Permita-me ficar sua
nos limites do humano,
no além dos momentos,
nas fronteiras do céu.
Conceda-me estar com você,
nos instantes indizíveis,
nos trajetos impossíveis,
nos mergulhos perecíveis.
E permaneça fiel
à escolha de mim,
sua parceira da sorte,
sua cúmplice existencial,
sua companhia final.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 11h01
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Artesanato
Nas asas abertas,
no sopro alado
da imaginação
coloque seu freio,
sua mente, sua lente,
os pedaços de vidro,
estilhaços, partidos,
espalhados, jogados,
ajunte, ordene,
reuna, reduza,
abranja esse caos
com a ordem imposta,
exija sua síntese,
sua soma, o total,
burile seu verso,
acolha as escolhas
com tento e visão,
a arte não aceita
a desunião,
estenda seus olhos
vislumbre o interior,
revire e recrie
com força invulgar,
modele e amalgame
do cerne ao extremo
sua convicção,
e, humilde, se encolha,
se guarde e se exponha,
não tema a falácia
da contradição.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 13h58
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Quase biografia- 2
Levantava-me de manhã, olhava o quarto em volta e já sentia o peso do dia que se iniciava lento, arrastado, medido em segundos.
Não sabia o quanto o som de vozes me era importante, visceral, até o momento em que não vi ninguém, no apartamento pequeno, na cidade imensa.
As pessoas estavam fora dele e formavam um bloco indissolúvel, do outro lado da porta da rua. Não havia alguém a quem eu pudesse dizer “bom-dia” com o tom de voz natural e despreocupado, como antes eu falava.
Era no máximo um “bom-dia” formal, afetado, entredentes, para o porteiro do prédio, um homem magrinho, de uniforme ( ou algo parecido com uniforme), de rosto sonolento, por trás de um jornal.
Vontade de perguntar a ele sobre sua família, sua terra natal, seus sonhos, suas idéias, aprofundar-me naquela vida que, apesar de tão desconhecida, poderia se tornar, de repente, aberta e familiar. Poderia alegremente, um dia, passar por ele e dizer-lhe com afeto: “Então, seu Antonio, como vai seu menino mais velho? Já sarou? E dona Antonia? E o cachorro? E o papagaio?”. E assim, naquelas perguntas já bem declaradamente íntimas, sentir uma camaradagem gostosa se espalhando pelo ambiente, quebrando o gelo que envolvia o bloco das pessoas de fora do meu apartamento.
Mas, não ousava nem olhá-lo detidamente. Quem sabe ele se fechasse mais ainda, com desconfiança ante uma moça que se entregava a um descabido modo de falar com desconhecidos.
Meu “bom-dia” saía seco, sempre igual e monocórdio, apesar de sequioso em expandir-se em mais palavras.
Passava e deixava para trás aquele resquício de possibilidade, um pequeno gesto já bastando para estabelecer um contato humano de gente para gente. Mas, nada acontecia diante do olhar desinteressado e longínquo do porteiro do prédio do meu apartamento.
Na rua, seguia entre o aglomerado, procurando com minhas antenas de formiga um sinal de aproximação. Caminhava, olhando para as pesssoas, cujas fisionomias miravam o infinito, o horizonte ou as conduções que passavam. É assim que olham os olhos das pessoas da cidade grande. Não se cruzam entre si. Não conhecem ninguém, não querem conhecer ou pensam não querer. As pessoas são autômatos vestidos com roupas da moda, com os gestos distraídos e auto-suficientes. Fazem sinais convencionais com a mão para o táxi, espiam os semáforos com ar de filósofos e caminham eficazmente para algum lugar determinado.
Vão com pressa que não há tempo a perder, que a cidade é grande, o mundo todo cabe nela e é preciso chegar.
Chegar, sair, caminhar são ações de cidade grande.
Senta-se quem pode ou desiste. Eu me sentava, tentando dar destaque a um fio do emaranhado. Apanhava um corpo passante no meu olhar inquisidor e acompanhava seu caminho até perdê-lo de vista. As únicas partes anatômicas vivas pareciam as pernas e os braços. Umas atrás das outras, as pernas passavam em marcha, os braços balançando ao longo do corpo, as mãos portando as bolsas inseparáveis, como um prolongamento delas.
Eu queria apenas ouvir um “bom-dia ”para passar aquele dia longo, ou até um “mau-dia”, contanto que fosse a mim dirigido, numa voz audível e separada, fora do murmúrio conjunto.
Queria o simples dom de um par de olhos que me enxergasse e me visse de verdade, sozinha, eu mesma. Um olhar desembaçado de nuvens, que me fizesse crer que eu estava realmente ali, antes que eu me julgasse etérea e invisível.
Não conseguia outro olhar a não ser o meu próprio, no espelho de meu apartamento, tentando me dar pelo menos um “boa-noite”.
DoraVilela
Escrito por Dora Vilela �s 15h16
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Inanimado
Sob um raio de sol,
na espessa calidez,
jaz meu ser incorpóreo,
frio, aéreo, informe.
A tépida luz
é meu próprio sudário,
não me penetra,
nem me revela,
só resvala e me refrata.
Quisera ser um diamante sólido,
um rochedo liso de musgo,
uma águia de bico curvo.
Quisera sentir minhas arestas,
minha leveza e suavidade,
meu vôo alto e audaz.
Mas me quedo somente
nesta frieza de mim,
dentro e fora, sem gosto,
sem calor, sem queda, sem fim.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 09h13
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Convite
Então vamos,
me dê sua mão,
enlace-me a cintura,
e me apóie na dança
que nos resta,
que nos basta,
que nos leva
ao início do baile
que inauguramos
e que nos igualou os passos
nos espaços da melodia,
e vamos,
sem pressa,
nos braços
dos compassos,
de volta ao começo
que faz seu adeus
e nos aperta os laços,
nos aquece os braços,
nos permite bailar,
nos convida a amar
insistentemente...
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 14h52
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Filosofando
Só o que possuo é este segredo
tão secreto e seguro
que eu o seguro e o aperto
e da posse dele dependo,
porque é a porção que me coube
das pesquisas do caminho,
onde atenta investiguei,
e as portas se fecharam
depois que as ultrapassei,
não há retorno,
depois desse transtorno
que sobrou do percurso,
no entanto, secretamente,
meu segredo se revela,
quando então se desnovela
no meu entorno de agora.
Sou alguém que
chora o desejado,
o anterior ao nascido,
o antes do ter vivido,
o inato que era tudo,
que era o não-ter-sido.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 10h29
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Holismo
Vou levando minhas lágrimas
prá jogar no mar,
em oferta à iemanjá,
e vou junto delas
para a alma lavar,
e alvejar de quebra
meus dias passados,
meus turvos pesares,
meus desejos cinzentos.
As águas e o sal
do meu grande mar
vão tirar minhas nódoas,
minhas manchas-desafetos,
minhas desalegrias,
meus desprazeres.
Vou deitar-me na areia,
lavada e renovada,
à espera, à espreita,
à toa, ao léu,
entoando meu cântico-zen,
meu mantra de bem-querer,
meu amém ao universo...
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 14h35
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Sensibilidade
Sensibilidade

Às vezes, viro só coração
e entendo a lágrima,
o aconchego, a alegria.
Fico sentimento cru,
e faço amigos,
faço versos,
faço risos.
Esqueço a dureza
do pensamento certo.
E me torno maleável,
canto em público
e em particular,
rezo ladainhas,
de joelhos no chão,
ou permaneço em pé,
como vestal,
protegendo meu fogo sagrado,
em vigília, em jejum,
na crença irracional.
Acolho as diferenças,
abraço a nudez,
e quero ficar assim,
assim, também nua,
e só coração...
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 12h21
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Continuísmo
Continuísmo

Tu, só tu,
sempre tu,
cabendo nos meus versos,
preenchendo-me as linhas,
os vãos, as declarações,
esparramando-te sem pejo
nos meus obscuros desejos.
Tu, apenas tu,
sorridente,
vidente,
adivinho
dos meus enlevos,
das minhas descobertas,
primeiro sol que me ardeu a pele
despreparada, insipiente.
Tu, só tu,
primeiro amanhecer de minhas vontades
ainda sem rumo e sem governo.
Tu, ainda tu,
minha única emoção desmedida
e talvez minha verdadeira
e derradeira paz.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 18h50
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Descoberta
Descoberta

Solares, casarões,
memória perdida
de fantasmas tão caros,
nas cortinas rendadas,
escadas, porões.
Esmaecem as cores
na lembrança que fica
e a parede de hera
se ergue carcomida
dos vermes que gritam
minha herança escondida.
Sou eu lá no fundo
em cada desvão.
Fiquei e parti,
mil vezes tornei.
Minha alma se rompe,
se prende à teia
da aranha prateada.
Caracóis, lesmas no limo,
no verde do tanque,
passeando imunes
à minha saudade.
Já ouço o ranger dos degraus
me levando ao meu cerne.
Nos olhos de cada retrato,
revisito o que fui
no início do início
de mim.
Na lenda, na fala
me escuto de novo
na voz ciciada.
Arrepios, tremores,
meu medo é do agora
ne incerteza que sou.
Meu antes jaz
incrustado e selado.
Absolutamente marcado.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 18h38
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Versos livres
Versos livres

Rimando não sei falar de amor
que sai todo entrecortado de mim...
versejando em sons e suspiros,
mais música que palavras,
fico mais à vontade de amar,
de lhe enviar meu olhar maroto
que promete o que nem tenho
em mim, talvez.
E insisto em um samba
que não é de uma nota só,
em um chorinho chorão
que solfejo agitada,
porque meu amor é apressado,
minha boca é sedenta,
e minha exigência é febril,
ainda que meio tola
e insistentemente juvenil.
Falando ou cantando
a um só tempo,
já vou te buscando,
te enredando,
e te versejando...
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 12h18
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Sem festança
Sem festança

Meu sonho me fugiu,
soltou-se de minhas mãos
minhas garras,
que o agarravam e o prendiam.
Ele se foi
e minhas pernas o
deixaram escapar.
Carregou minha festa,
minha celebração,
levou meu canto do peito,
confiscou minha força,
me arrancou os cabelos,
me arrasou a visão.
Não quer voltar,
nem com reza brava,
nem com todas as juras,
e os esconjuros.
E me deixou
esta febre que não passa
com nenhuma medicação.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 21h22
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Vantagens Literárias
Vantagens Literárias
Às vezes, fico pensando como é difícil para um escritor de país subdesenvolvido e sem longo passado encontrar coragem para escrever sobre sua terra. Digo escrever de uma forma literária e artística. Ou então querer competir com escritores de países tão antigos como os da Europa, com aquele acervo cultural por trás dos ombros.
Para um medíocre escritor francês, ao redigir suas memórias, por exemplo, basta evocar a infância nos becos de Paris, e já o relato se torna interessantíssimo e fascinante. Alguém que o lê, põe-se logo a imaginá-lo um cidadão do mundo, uma pessoa letrada, alimentada desde bebê pela civilização francesa, versejando desde os tenros anos, ou orando à Notre-Dame antes de dormir.
É ainda agradável seguir os passos de qualquer inglês, nascido em Londres, contando, mesmo em péssima literatura, seus momentos de juventude nos “pubs”, em meio ao “fog”londrino, sendo despertado pelo toque do Big Ben, na manhã seguinte.
A narrativa reporta o leitor a símbolos tão prenhes de significado próprio, que só o fato de serem mencionados já torna a leitura atraente.
As pessoas se deleitam, repentinamente, com estes escritores, intuindo, de certa maneira, que, se eles não disserem nada de tão profundo ou original, pelo menos têm em comum a terra natal de pensadores geniais que atravessaram os ecos dos séculos.
A um autor romano, também é o bastante falar de suas lembranças de “bambino”, distraidamente brincando perto do Coliseu, para se ficar embasbacado diante de alguém que respira, desde o nascimento, o cheiro de monumentos de 2 000 anos de idade.
Já o pobre escriba, cidadão de país de recente vida, terá a árdua tarefa de torná-lo conhecido, escrevendo com extrema originalidade, destreza e arte. Tocar-lhe-á a missão de fazer com que um dia, por exemplo, a simples menção da Praia de Ipanema sugira ao mundo todo as mesmas fantasias que tal nome acende no coração de um carioca da gema.
Mas, especulações à parte, não deixa de ser verdadeiro que tais escritores estrangeiros, mesmo se aproximando de uma parva mediocriadde, contarão sempre com a vantagem de despertar o interesse de leitores de outros países que terão, no mínimo, ouvido falar dos venerandos tesouros europeus.
Não chegam a ser um exagero estas afirmações, porque comigo mesma já aconteceu de ler o livro todo, de um autor francês, obcecada pelas citações de recantos do país, comprazendo-me em um texto de conteúdo banal e fútil.
Meu suspense ficou por conta dos locais, carregados de significados para mim, esperando emergirem dali os pensamantos profundos do autor, os quais, infelizmente, até o final, não vieram à tona. Porém, o que quero dizer, é que fiquei presa nessa espera, o que não me ocorreria no caso de ler um escritor medíocre, talvez do meu próprio país.
Poderão até me contestar esta tese, que me veio à mente, justamente por ocasião da leitura do tal livro francês. Ela merecerá talvez o riso de quem a levar a sério.
Contudo, digam-me: quem já conheceu de perto e sentiu a estranha magia da beira de um rio Sena ou dos becos de Paris, não estremece só em ver uma fotografia com estas cenas?
É a demonstração da minha tese. Se não fui, porém, devidamente clara na minha teimosa exposição, não há problema algum.
Porque bom mesmo é ler os grandes escritores, de qualquer país, de preferência a gente recostada em uma rede, presa às arvores de nosso solo .
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 17h07
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Falando muito sério
Falando muito sério

Por que querer se preservar
se manter humano e saudável?
E, à nossa revelia,
lá se vai nossa tola matéria
a desrespeitar a vida,
a saltar as barreiras,
a saudar a festa vã
dos desejos, dos gestos, dos gastos.
Por que negar à alma
os imperativos dela?
Por que ela, tão forte e intensa,
é tão frágil ante o peso do mundo?
Que vileza escondemos nos atos
tão voluntários e irracionais!
E somos levados
pela mão do funesto prazer,
insensatos, buscando o fugaz.
Vemos o encanto no gesto
momentâneo e mortal,
insensíveis e cegos
aos apelos do espírito...
Insondável é o mistério
que ronda essa insana preferência.
Nossa alma sisuda e sábia
é cativa de nosso animal.
Dora Vilela
P.S.: Como não estou familiarizada ainda com a técnica de postagem, cometi uma falha no momento de publicar o texto atual, apagando o poema anterior. Peço desculpas a todos pelo erro e espero que compreendam. Dora Vilela.
Escrito por Dora Vilela �s 12h10
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