Poente II

 

não quero a vida seca

mesmo que para tal

careça

da umidade das lágrimas.

 

 

sonho é saber

que nas fissuras

das texturas

permanece

a espessura

do desejo.

 

 

abreviei o instante

que parecia longo

levando o tédio

para o aconchego

do teu assédio.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h55 [   ] [ envie esta mensagem ]




Desesperando

 

difícil não perceber

este punhal enfiado no peito

esta mão apertando a garganta

esta morte que nasce e renasce.

 

um momento se ligando ao outro

escorrendo, silente,

feito linfa entre vasos,

uma linfa incolor e enganosa.

 

por que tanta emoção ante

o canto do prisioneiro condenado

a caminho da execução?

 

o canto mais desesperado

deve ser o de quem não tem prazo

prá morrer, prá partir, prá acabar.

 

a vida a penetrar ser adentro

a chamar, sacudir,

reclamar o que lhe é de direito.

 

e a dolorida aflição de cantar

agradecendo, sempre, ainda,

por cada anoitecer que se finda.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h35 [   ] [ envie esta mensagem ]




Poente

 

nem tudo são névoas

desaquecendo o sol

há um prenúncio

que denuncia

a urgência

da nova estação.

 

 

o outono me faz séria

em tons castanhos

sem neve

ainda.

 

acaricio teu rosto

com mãos de cuidado

retribuindo de leve

meu amor saciado.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h49 [   ] [ envie esta mensagem ]




De tempo e existência

 

divago

sobre o vago

que falta

no raio da vida

que a visão

não cria.

________________

 

não me salva

o aplauso da platéia

_ promessa só cabe

na veia  cortada

do pulso da vida_

 

de que adianta

enganar

o movimento

da areia

na ampulheta?

é tapar o sol

com peneira...

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 13h21 [   ] [ envie esta mensagem ]




Breves loucuras

 

 

adivinho tua presença no passo

em compasso com o meu,

no descompasso do coração...

 

e consomes minha parca lucidez

quando te expões ao vivo

a desatar os nós de minha ternura...

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 18h10 [   ] [ envie esta mensagem ]




Corrente Literária Corrente Literária

Fui indicada pelo Manoel, do blog http://www.agrestino.blogger.com.br e pela ariane do http://retalhosepensamentos.zip.net  e não devo quebrar a corrente.

Trata-se de propagação de uma entrevista sobre Literatura da Língua Portuguesa.

As perguntas são sobre a relação do entrevistado, na condição de leitor, com a literatura.

E o fato de respondermos a estas perguntas, sem ameaçar a privacidade de cada um de nós, ajuda a revelar o perfil de cada um.

É bom sabermos o que aqueles com os quais nos relacionamos lêem.

Talvez outras perguntas pudessem ser formuladas, mas estas são básicas e, em se tratando de generalização, é melhor assim.

Devo responder às perguntas da entrevista, reproduzindo-as aqui.

Ao mesmo tempo, devo indicar outras pessoas – no mínimo três.

As pessoas indicadas por mim, caso aceitem, deverão fazer o mesmo que eu.

A seguir, as entrevista e as indicações. [ continua].

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h42 [   ] [ envie esta mensagem ]




[continuação]

Ex-Libris da Tugosfera

 

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

Angústia, de Graciliano Ramos.

 

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?

Sem dúvida, pela personagem de Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.

 

Qual foi o último livro que compraste?

O que diz Molero?, de Diniz Machado.

 

Que livros estás a ler?

Como todos que amam a leitura, leio vários livros, ao mesmo tempo, assim como releio outros. Acabei de ler esta semana, O que diz Molero? ,mas meu criado-mudo fica abarrotado sempre com Carlos Drummond ( prefiro  Claro Enigma e Sentimento do Mundo). Leio ainda, O Livro de Horas, de Rainer Maria Rilke, Felicidade( contos) de Katherine Mansfield,  Fédon, de Platão, Sagarana, de Guimarães Rosa, Orientação Filosófica , de Marcel Conche.

 

Que livros(5) levarias para uma ilha deserta?

O terceiro volume dos Ensaios de Montaigne, Os Amores Difíceis, de Ítalo Calvino, A Bagagem do Viajante, de Saramago, qualquer um de Drummond e Mensagem, de Fernando pessoa.

 

A quem vais passar este testemunho ( três pessoas) e por quê?

Indico pessoas ligadas à poesia.

 

Antoniel Campos- http://www.antonielcampos.blog.uol.com.br  porque sou curiosa em relação às leituras de quem faz poemas tão magníficos.

 

Diana Dru- http://www.dianadru.blog.uol.com.br  pela mesma razão, gostaria de saber as leituras que fazem parte de sua influência literária.

 

Márcia Maia- http://.www.tabuademares.blogger.com.br queria muito conhecer o repertório de leituras dela!!!

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h41 [   ] [ envie esta mensagem ]




Imanência

 

Até onde limito meu querer,

tenho a terra prá pisar,

o ar para os pulmões,

a água limpa de beber

e o pão de cada dia.

Do amor não abro mão,

nem dos carinhos do meu homem.

Para o transcendente

não faço malabarismos

e talvez amplie a visão

para a profusão

das espécies de orquídeas

ou para uma tela de Renoir.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h31 [   ] [ envie esta mensagem ]




Experiência

 

Vim ao mundo

de boa vontade,

em festas, laços,

madrinhas e abraços,

minha progenitura aplaudida,

ocultando a obrigação

que eu só viria a descobrir

na madureza do tempo.

Saí do útero

para o braço,

para o berço,

o regaço,

e adormeci,

E amoleci.

Para ter que endurecer

e mourejar,

e secar os olhos,

_meus e alheios_

e sacudir as almas,

e acudir as dores

e domar as feras.

Nasci, de boa vontade.

Vivo, de força de vontade.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h45 [   ] [ envie esta mensagem ]




Minipoemas

 

nas preliminares do sol da manhã

finalizo minhas certezas do ocaso.

 

 

pouco-caso me fazes

das frases que te ofereço,

desejas mãos de concretude,

não queres arabescos no ar...

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h48 [   ] [ envie esta mensagem ]




Vindouros

 

É no meio das gentes,

gentes dos tempos poluídos,

que se plantam os caminhos

da minha ecologia.

O beijo não salva mais

e se despersonalizou.

 Saudemo-nos agora

com gestos novos

e vigorosos refrões.

Uma lufada de ar

varrerá das calçadas

as irrelevantes andanças.

A água escorrerá das sarjetas

levando as derradeiras vantagens

que os homes deixaram cair.

Já os sinos das catedrais

ultrapassam outros apelos,

já as flores se ataviam,

saltando aos olhos recém-abertos.

Ouçamos a límpida linguagem

sem as mensagens cifradas

das bocas e das mãos.

Não soarão as trombetas

de nenhum Juízo Final,

mas os sons depurados

penetrando muros e pedras,

a matéria se reconhecendo,

se amando menos e melhor,

enquanto o sol largo se espraia

colorindo todas as coisas

agora renovadas.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h59 [   ] [ envie esta mensagem ]




Curtospoemas

 

 

que signos se interpõem em nosso zodíaco

que fazem gêmeos nossos prazeres?

       

____________________

 

anônimos meus versos

que me remetem a ti

sem precisão do meu nome.

 

__________________________

 

desnudo-me em preces que te louvam

enquanto me recompões os retalhos

que de mim roubaste.

 

___________________________

 

 

invalidaste meu percurso

de antes de te saber,

reflorindo as margens

do caminho que hoje percorro.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h09 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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