sabendo o que se sabe sem se saber

 

me sei em você, meu outro,

que é minha sombra,

me desnudo em você,

me rasgo em seu olhar

tão igual na alteridade

_ meu outro, que me guarda

as aparências_

mas, somente com meus olhos

vejo o pôr-do-sol,

e choro, quando você não chora,

estremeço a um som

que você nem ouve,

desfaleço na música de violinos

inexistentes

e não sei se você me acompanha,

sofremos juntos,

doemos as mesmas contingências,

porém minha dor

é singularmente minha,

meu riso é de meu alcance,

meu despertar é meu mistério,

pertence a mim minha raiz,

o odor à minha volta,

a efusão de meu corpo,

semelhantemente finito

tal qual seu pobre corpo,

por isso minha compaixão

por você,

que ainda não  abriu

as janelas

e não enxergou

nossa trágica

dessemelhança

nessa inequívoca

igualdade.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h29 [   ] [ envie esta mensagem ]




Rememorando

 

as ruas, ruelas,

passagens de bois

espalhados, ondulados,

competindo com homens,

convivendo, combinando,

boiada de sempre

com homens antigos

costumes antigos

agora apartados,

ruas, ruelas

pisadas de cascos

ruidosas de aboios

de bois amansados

caminhos de homens

ao lado de bichos

descuidado convívio

nas ruas estreitas,

de barro nas solas

das botas reiúnas

os homens antigos

e os bois se avizinham

destinos ligados

ao tempo comum,

hoje o boi escorrega

no asfalto cinzento

provando a estranheza,

desmemoriado, encantado,

o homem o enxerga

afastado, pesado.

O boi não é homem,

nem homem é boi.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h09 [   ] [ envie esta mensagem ]




Si je m’em vais

 

tenho que ir agora

e me reparto, partindo,

lhe deixo o ar respirado,

o canto dos pássaros na gaveta,

o perfume em suas mãos,

o registro dos meus passos

e o contorno de minha forma,

sigo, ascendendo ou não,

como se fosse nuvem

que faz metamorfoses

e que se liquefaz,

vou-me, como pausa

de uma tocata,

intervalando apenas,

vôo como a ave de arribação

instintiva e só,

navego a vela branca

de indispensáveis mares,

parto, mas fico ainda

personagem principal

de sua criação.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 16h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




Nossa Humana Comédia

Encontros e desencontros

no irreal das máscaras,

no complexo surrealismo

que nos cerca,

somos monstros

em metamorfose

de anjos a gnomos,

não sabemos ser sós, em nós,

e nos aglutinamos,

nos amontoamos,

misturando corpos e sonhos,

somos seres fictícios,

sem querer,

na ilusão dantesca

do Inferno de nossa vida.

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 08h32 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

ciclo interrompido

 

 

minhas águas cansaram-se de fluir

e meu riacho que folgava em seixos

e corredeiras procura o impossível refluxo,

quer voltar às nascentes e encontrar o vão da terra

donde involuntário fugiu,

 meu ser aquoso faz secas e se afasta das bordas

 se infiltra em cavernas das pedras do fundo

 se finge preguiçoso nos redemoinhos,

se envolvendo em demorados gozos

minha corrente falsamente miúda_

que nunca se mede a verdade de um rio_

se esconde em fio d’água

boceja entre os peixes e sereias

fatigou-se do curso natural

entediou-se das conversas da relva

dos risos das lavadeiras

que batem  roupa nas pedras,

meu rio quer descansar

estancar o percurso

devolver seus afogados

esquecer os enlameados

meu rio não almeja o mar

meu rio quer se afogar.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h50 [   ] [ envie esta mensagem ]




Desconexo

 

sei quem sou

no espelho do quarto

na mesmice do dia

na memória que fui.

 

me identifico

em todos os meus

corredores, porões

e labirintos.

 

mas, num repente,

me agrada tanto

o que antes

me causava espanto.

 

noutro lance,

de harmonia e canto,

vejo a sombra

e o desencanto...

 

quem sou,

quando não sou?

quem responde

diferente de mim

o que minha pronta resposta

já sabia?

 

quem me visita

sem mim

quando não estou em mim?

 

sei quem sou,

mas também sei

que não sei

quem não sou em mim.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h56 [   ] [ envie esta mensagem ]




Tese

 

Para entender o amor, a gente fala dele. Atenção dobrada para dentro.

 Ouvidos do corpo total, aguçados, mapeando sensações.

 Indagações de “porque” e exames de “se”.

 Enganosa trilha. Ficam só respostas abstratas.

Por que amo esse seu jeito de franzir os olhos, quando exala a fumaça do cigarro?

 E essa indolência ao cruzar as pernas, segurando o joelho com a mão?

Esse riso aberto diante de tolices minhas?

Não se constituem em qualidades suas. Nem atributos.

 São apenas você sendo...E eu olhando...

.Ou ímãs que atraem só o meu diferenciado querer.

Meu querer que quer só você. Que separou você do resto.

 E o resto ficou amorfo sem seu influxo.

Concluo que amar é criar um deus particular.

Um deus de barro, de arenosa substância.

Mas que traz o necessário de viver.

 Pois que viver requer pouca matéria.

 Um corpo vive de seu exato volume no espaço.

 Não pede mais que isso.

 O que sobra da corporeidade escapa em sonhos e sopros.

Quero você mais rente. Interpenetrando meu espaço físico.

 Olhar você sem distância.

Não tenho resposta para o conceito de amor.

 Sei apenas do seu franzir de olhos, seu cruzar de pernas, seu riso solto.

 Conheço um deus frágil que me diviniza.

Não sei do amor, sei do ser amado.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 18h19 [   ] [ envie esta mensagem ]




Foi assim

 

ontem mesmo, a primavera me habitava

em perfumes, texturas e matizes,

e eu me engalava de flores,

no meu papel de protagonista,

e me descuidava do vento,

me encharcava nas águas,

me embebia dos gostos,

imorredouras paixões,

amores simples,

truques inocentes,

tudo motivo de risos,

tudo leveza de espírito,

voejar de asas pequenas,

céu baixo no chão...

ontem mesmo, as folhas tombaram,

em odores agri-doces,

o céu ficou tão inclemente,

os ares se adensaram,

com pesados sentimentos,

pesares e lamentos,

amargando os risos,

desprezando os riscos,

e os belos desafios

uniram-se às folhas do chão...

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 21h43 [   ] [ envie esta mensagem ]




                                                   Espera

 

Nada importante assim. Uma carta que esperava. E o correio atrasado!

Nem tanto que o conteúdo fosse de abrir o céu. Ou de fazer chuva de prata.

Não acordei cedinho. À toa, pulei da cama. Nem pressentimento. Apenas um ruído na caixa de correio. Foi susto de pensar em ladrão. Em bicho roedor. Não foi pensamento de carteiro entregando uma carta. Que eu nem me importava com ela, mesmo.

Ela não traria letras de afogar emoção. Não seria de deixar pernas bambas, nem coração na boca. Carta é coisa fria. Papel não é mata-borrão que absorve sentimento. O que a mão escreve desliza só da epiderme.

Mas, o correio nesse país é uma pouca-vergonha! Retardatário e indolente. Ainda bem que não se fica ansioso com missivas. Missiva é carta de língua culta. Não sei porque me veio este termo à mente. Epístola também é carta. Cultíssima, e de bíblia.E de escritor antigo. A carta que o correio não entrega nunca...é carta de gente como a gente. Gente como eu. Cheia de palavras lineares. Nada de altissonantes e hiperbólicas imagens. Nem delírios de me encher as veias de sangue e os pulmões de ar. Muito menos de me dissipar as dúvidas.Que, aliás, são dúvidas bem corriqueiras. E não são buscadas nos dicionários, claro. Têm que vir da boca, ou melhor, das mãos da pessoa certa. Dúvidas que eu bem gostaria de ver esclarecidas. Em mal ou bem traçadas linhas. Mas, não de forma tão imprescindível! Nem tanto!

Posso esperar. Porém sou impaciente com esse correio. Ele é que enerva. E me esqueci de tomar café. Isso é o frio no estômago que sinto. Fome. Não é expectativa. Não aguardo mel para meus lábios, afinal. Muito menos adjetivos doces. Queria ler, para poder responder logo.Não gosto de faltar a compromissos. Não deixo nem bilhetes sem resposta. Só a perguntas não replico.E fico com as mãos úmidas, de pensar em atrasos. Se meu corpo freme ao já adivinhar as palavras que vou ler, se a carta chegar, é tudo culpa do jejum. Pois se não comi nada ontem. Não que me importasse com a carta, ou com a saudade enjoada, roedora. Me incomodava comer, preencher um corpo que pedia outro alimento. Que poderia estar na carta. Que me saberia melhor. Minha vitamina não tomei. Quem sabe a carta traria. Não me importo com a carta, mas, com tudo isso. E esse correio não vem!

E não sei a razão, não consigo engolir esse café!

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h44 [   ] [ envie esta mensagem ]




Motivo óbvio

 

só esboço teu nome,

com medo do som

que quer revelá-lo

e, à revelia, levá-lo

de mim, que o cultivo,

que o cativo,

e não ouso

percebê-lo, fora de mim,

de receio de vê-lo

fugir no vento, no tempo,

escapar do templo

do meu pensamento

que o compõe

em letras

que são minhas

do meu alfabeto

de neologismo e afeto.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




Exercitando

 

tão cedo na aurora

progride a ária

que te redime

do meu canto

que enrouqueceu

na noite.

 __________

mansamente velo,

com olhos de veludo,

tua veleidade

que finge velejar

prá longe de mim.

 _________________

a flor que despetala

no meu vaso de cristal,

meu jeito duplo de ser,

seu olhar sobre ela,

 fetiche habitual.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h15 [   ] [ envie esta mensagem ]




Perplexidade

 

não sou santa,

nem estóica,

quando a vida me açoita,

grito só,

não olho para cima,

nem para os lados,

mas para dentro

de mim mesma,

não procuro

culpas nem erros,

só fito

o absurdo natural

com meus olhos

atônitos

de criança.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h15 [   ] [ envie esta mensagem ]




Ao homem “moderno”

 

esse ser que caminha

só, confiante em seus pés,

em seus músculos e rígido coração,

esse animal racional e planetário

que se lê e se aprende a si

nas páginas dos monumentos

por ele mesmo erigidos,

esse potente espécime

dessa era de silício e plasma,

esse homem que se supera

e se desdobra em outro

e não sabe mais da privacidade,

esse uno que se tornou

múltiplo e transparente,

que mostra seu avesso,

sem saber seu interior,

esse mesmo ente que ainda

voa, como antes,

mas, sustentado nos ares,

e ainda sonha sonhos,

apesar de planejados,

a esse ser moderno e poderoso

resta-lhe ínfima herança

que se condensa em um fio,

o qual não se partiu,

ainda e ainda,

e que o liga ao seu

único ato livre

de se evadir

da corrente

da vida,

_ele ainda pode

escolher

sua própria morte_

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h59 [   ] [ envie esta mensagem ]




A uma filha ( que não tive)

 

menina, te vejo

e te invejo

teu rubor que já ultrapassei,

teu pudor que já desdenhei;

verás o que eu não vi,

vais querer o que eu não quis

( ou quis?);

vais viver e voar;

não, não te invejo,

é só zelo o que me impele

e o perdão que te suplico

por te saber existente

e tão crente

que não te ouso dizer

da dor, do engodo,

do engano, da peça

que me pregaram

e te pregaram

da vida que viver.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




Delicatesse

 

neste excesso de vida,

luzes, ardores,

minha energia se dissipa

e lhe desfaço o valor...

antes o fiapo de sol

varado em fresta de janela,

o pingo iniciante de chuva,

a aragem vaporosa,

a nesga de nuvem no azul.

Prefiro a vida no varejo,

uma manhã de cada vez,

em pausas e etapas,

com melindres de afagos.

Nada de surpresas

e sustos de anoiteceres

de aquarelas,

explosão de cores e tons,

tempestades revoltas,

ondas encapeladas,

vulcões, escarpas geladas,

 fúria dos vendavais.

Meu requinte de natureza

é talvez um ondulante trigal

ou quem sabe ainda

o delicado desabrochar

de uma orquídea

no meu jardim.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h55 [   ] [ envie esta mensagem ]




Primícias

 

O ar glacial. A lua pálida vagando perdida num amplo negrume.

Sentávamo-nos num degrau da varanda, aconchegados, pernas encolhidas, meu rosto apoiado em seu ombro, roçando a textura do casaco. Um cheiro másculo, penetrante e desnorteador de minha imaginação solta. Nós dois, tenros, tenros...Corações virgens, sôfregos, à espera.

As mãos se encontravam, variando a ternura. Apertos, ora dorsos, ora mãos espalmadas, para dentro, para fora, deslizar de dedos cariciosos, descuidados no alento cálido.

Depois, olhares, apenas. Nenhum som no intermédio encantado. Diálogo visual, visceral. Troca de sentimentos inominados. Nus e crus. Um olhar dizia o que o outro olhar absorvia.

Lassidão nos corpos que se sabiam prontos para o amor carnal, mas que se enleavam ainda, vagarosos, nos vínculos da contemplação do ser. Um devir caminhando em promessas. Sensação poderosa da presença, da proximidade na sua inteireza. E a lua contemplava nossos gestos, empalidecendo mais. Nós, imersos na plenitude.

Roçar delicado de lábios. Sussurros sem nexo. As mãos unidas amparavam o toque inaugural dos lábios medrosamente sedentos, num vaivém de procuras e recuos. O calor invadindo as faces, o peito se acendendo no corpo despertado. Bicadas curtas de pássaros, pequenos arrepios na pele.

Beijamo-nos, enfim, com toda a boca.

Em suavidade, uma exploração cautelosa, pura sensação, na fuga do pensamento. Ritmo da natureza.

No crescendo, sabores, sentires, cenas passando velozes, o mundo se afastando com elas. Um hiato. Divisor do antes e depois.

Ninguém. Nem a lua pálida. Uma realidade feita só de dois, dupla e única existência. Duas partes de um todo se completando no êxtase. Indizível instante,  chama  quase inextinguível. Inexaurível pelo tempo. Grudado na memória. Eterno.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h17 [   ] [ envie esta mensagem ]




Fechada para balanço

 

ouso sonhar,

não devia,

ando desnuda,

só de alma vestida,

calculando as cobranças

que não vou pagar,

nem chance à esperança

pretendo outorgar,

os meus planos todos

ficaram prá trás...

amores_ os tive,

carinhos_ guardei,

primaveras fagueiras,

quanto nelas folguei!

_mas, nem só as rosas

colhi nos rosais_

e as agulhas de espinhos

cicatrizam? jamais!!

saldo negativo

tenho que reportar,

leio Bandeira

prá me consolar...

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h24 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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