Queridos amigos: Vou deixar de comparecer, por uns tempos, ao "Pretensos Colóquios". Mas, prometo um breve regresso.

Deixo-lhes meu carinho e meus beijos. E minhas flores.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h51 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

Aviso para a Cherry: Não é para ficar triste com poemas assim...

Eles “falam” de momentos...Não se impressione... Momentos passam e são substituídos...

Assinado: Dora

 

 

Atemporal

 

não morri ainda

mas já não danço

nem me balança

a festa dos dias

e a chuva de prata,

 

 

enfim, só descanso

de fora prá dentro,

arrefeço meu passo

resguardando meu ouro,

que o tempo é escasso.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h47 [   ] [ envie esta mensagem ]




Acervo de saudades

De todas as minhas saudades, a maior é a da casa da minha avó.

AH! A casa da minha avó paterna, tão distante no tempo!

Meu pequeno ser a afigurava alta, enorme, acolhedora.

Dentro dela sentia a segurança de quem tem raízes e uma confiança ilimitada no bem-querer de seus habitantes.

Tinha a certeza de ser amada, prezada, no interior daquelas paredes que eram minhas, faziam parte da minha vida passada.

Não conheci meus bisavós, nem mesmo meu avô paterno, mas sentia orgulho de pertencer, de estar ligada àqueles adultos, com fotografias na sala principal.

É um curioso sentimento de orgulho este de se querer ser parte de um todo, de ser um elo de uma cadeia.Eu possuía este sentimento que me acompanhou vida afora e nasceu na casa da minha avó.

Até onde a lembrança me leva, lembro-me de não me importar nem mesmo em saber que espécie de pessoas eram meus antepassados.O importante era saber que antes de mim houvera uma corrente, que me levava para trás, que me unia talvez a um mundo remotíssimo e, ainda assim, meu mundo.

Essa consciência de possuir um fio centrado em mim mesma não era característica infantil.Permanece comigo até hoje.

Quando me encontrei, um dia, em uma circunstância fortuita, no meio de uma grande cidade estrangeira, onde eu era apenas uma anônima transeunte, um ser humano entre centenas de outros, senti agudamente uma terrível impressão de queda, de perda de identidade, de pânico.Foi a primeira vez que me dei conta da vital precisão de significar alguma coisa para mais alguém, que não eu.

A experiência foi marcante e esclarecedora.Ela me remete sempre àquela sensação da infância, o que me faz amar a casa de meus avós e ao mesmo tempo sentir-me ridícula.

O amor se prende ao fato de encontrar uma espécie de significado para a minha existência; afinal sou a continuação de um encadeamento lógico e natural: minha árvore genealógica.

O ridículo é pensar que fora desta árvore me sinto perdida, como uma folha que se desprende da própria seiva da vida.

Afinal de contas, ao se generalizar, todo ser humano tem a mesma raiz e, de certa forma, a humanidade inteira é uma só floresta dentro do universo.

Porém, a mim me parece uma idéia exageradamente abstrata e forçada supor-me ligada a um habitante da China ou a um esquimó.E, rigorosamente falando, há muito que se filosofar para se chegar a uma afinidade pessoal com seres humanos talvez até mais aproximados de nós.

Não serei nunca uma cidadã do mundo, neste sentido.Não tenho suporte filosófico nem temperamento para tanto.

Fisicamente tenho que me sentir arraigada.É uma triste constatação, mas é uma constatação.

Minha descendência seguirá, quem sabe, outros caminhos.Eu, bem lá no fundo de mim, sei que permanecerei sempre, e ridiculamente, na casa da minha avó.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h41 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para a Cherry!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

 

 

Ligeiro

 

Vou só ficar de comprido

encasulada em lagarta

pesquisando a manhã

e suas cores

mas, já me ofusco no amarelo

que acaricia a cortina

desenhando um bom-dia

em riso convidativo

me entregando o arco-íris

que encerra minhas buscas

e me põe de pé, esquecida,

já com apetite de vida!!!

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h44 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para o Nirton Venâncio

Prisioneira

 

Ah! máquina insaciável

que tanto cansaço me trazes

que nunca te satisfazes

nem com o suado pão,

nem com o ar respirado,

nem mesmo com toda a água,

 

exiges tanto e tal zelo

para em troca só me dares

este desventurado prêmio

de estar viva e torturada,

 

és meu corpo sempre pleno

carregando a duras penas

minha alma alimentada

com os sobejos que lhe jogas,

 

oh! corpo que me consomes

as energias tão caras

do grandioso, precioso dom

da eternidade encarnada,

 

se vives com tal cuidado,

ao menos, deixa-me livre

de tua caverna escura

por um minuto que seja,

naquela impossível mágica

de estar viva e voar.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h39 [   ] [ envie esta mensagem ]




Balada

 

Mesmo órfã de contentamento

tenho que cantar

em letras tortas e cambaleantes

que o pesar me aponta

como alento,

garatujo aqui

o que chora dentro,

como um fado

que me força a mão

e me mostra o alívio,

esvazio o dicionário

e minha dor não cabe

em verbete nenhum,

é única e criada

à maneira exclusiva

da dona que tem.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 20h45 [   ] [ envie esta mensagem ]




Oferenda

 

 

jogada ao vento minha canção

parece traste que caiu de caminhão

de entulho,

e, no entanto, é rasgo da veia

do coração

e entoa dores rimadas,

dissonantes com a  vida,

com os amores,

e é tão dócil, que procura irmãos,

procura amantes,

e se ajeita com qualquer resto de refeição,

que minha canção é franciscana

e ainda não imune

à farisaica condição,

é minha, porque ninguém a quer,

porque a daria sem discussão

e sem preço de ocasião.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 18h15 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para a Crys

 

Coisas cambiantes

 

Fatigou-se a matéria em mim

sem esperar a decrepitude dos anos,

falhou-se a mola que me movia

e agora tardo tanto

em encontrar o sorriso largo,

cansa-me a alheia tensão

entedia-me a falsa ilusão

de deuses ridículos

da hodierna ficção,

não é cansaço de percurso

é enjôo de repetição,

prá que nomear lazer

o gosto do prazer

posso encantar  turista

com o que eu tenho no próprio quintal

_ um sol derramado em ouro,

uma chuva bordadeira de rendas,

um bando de aves canoras

que ensaiam bachianas.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h24 [   ] [ envie esta mensagem ]




Sensibilidade

 

A noite escorre

sobre minha pele

e arde nela

que tão sensível

se revela hoje,

uma pele que contrariamente

deveria ser empedernida,

de tantos sóis que encarou

tantos dias que desenrolou

desprotegida de chapéus,

uma pele que

se exteriorizou em alma

se inflamou em desejos

se espessou em tensões,

a mesma pele que se distendeu

em viadutos e pontes

de correr o mundo,

pois ela ainda arde

na noite dos sonhos mortos,

essa pele que me enfaixou

e me existencializou.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 18h29 [   ] [ envie esta mensagem ]




Velada ameaça

 

Essa sombra negra que desliza sobre mim

me esmaga e me sufoca

como a fase da lua nova,

quando ela existe escondida,

desafiando a fé

de quem não a vê, mas a sabe lá

no obscuro do céu,

essa sombra me é antiga

e zomba de mim

que acredito nas gentes

e confio na minha fraqueza,

essa sombra que se desvanece

mas não se abstrai

é sombra de dentes cruéis

do mundo que me rodeia

e que forceja em devorar

a verdade que passeia

em meu mundo particular.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 08h33 [   ] [ envie esta mensagem ]




Sem drama

 

e ela não escolheu

mas acertou no deleite,

no gozo,

no prazer, que cegou,

mas, não durou,

normal...

foi o alvo que ela errou

no investimento total,

valeu...

mas assim

sem volta, nas voltas

que o mundo dá,

não tem mais chance

não é capaz,

fechou a cozinha

e abriu o gás.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 14h11 [   ] [ envie esta mensagem ]




Aconteceu

 

na prenhez da lua cheia

em violência de maré alta

que lambia os rochedos,

as águas salgaram meu corpo

como mãos de benzedeira

e, com algas milenares,

da flora marinheira,

fecharam-me as cicatrizes

lavaram-me do meu fel,

renasci lisa,

refeita em pele nova,

ainda que um tanto salobra

e avessa a excessos de mel.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h33 [   ] [ envie esta mensagem ]




Entrei na fase de singelezas...

 

Enganosa memória

 

Minha igreja, tão pequenina,

enorme prá minha infância,

longe, no tempo, me chama,

conclama ainda os fiéis,

 

havia o padre já velho,

tão curvo, buscando o chão,

se apoiava, se enganava

com as promessas de então,

 

e o sineiro tão plangente

me alcançando em minhas cismas

me adentrando com seu som,

me deixando em confusão,

 

minha igrejinha caiada

de branco( de azul, ou rosa?)

marcava a cruz do caminho

no outeiro da vila ( ou da roça?).

 

Minha igreja há de perdoar

as reticências e o olvido

destas lembranças tão falhas,

mas tudo que me lembrava

não eram saudades dela

eram saudades de mim.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




Já que descanso, pensando tolices, deixo-as aqui:

 

 

Solitária, emendo palavras

que mal se entendem entre si,

mas se riem, em conjunto,

da minha solidão.

 

 

A andorinha,

sozinha, no fio,

só o arrepio,

na manhã de frio.

 

 

A fina pontada de dor

que pinga

como torneira mal fechada

é preço que paga

quem vive de riso franco

ante os rostos de fachada.

 

 

Não sei se você ainda me ama

depois de me saber

só uma poeta sem fama.

 

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 09h00 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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