Salvação

 

meu verso sai ameno

porque sou

naturalmente sociável

e o trágico que me habita

se dilui

entre as mãos amigas

que acaricio.

 

Dora Vilela

 





 Escrito por Dora Vilela �s 16h45 [   ] [ envie esta mensagem ]




Solipsismo

 

vasto mundo,

pródiga realidade,

quantos grãos de areia há na praia

que abarca o mesmo mar?

quantos luzeiros no céu,

 e peixes abissais?

esta profusão

cabe em meu ser

único e solitário,

mas se eu não

estiver presente

levo comigo o espetáculo,

e se eu não o contenho

ele se esvai,

a realidade, é, pois, real,

se sou nela

e ela é em mim.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 19h38 [   ] [ envie esta mensagem ]




Desafios

 

 

coisa mais neutra é a pedra,

mas é viva,

como a vida.

 

___________________________________________

 

espinho é importante,

 aguilhão para despertar

a placidez da carne.

 

____________________________________________

 

a noite engole os homens

e suas razões

que se manifestam

no cotidiano.

 

Dora Vilela

 

 

 



 Escrito por Dora Vilela �s 11h03 [   ] [ envie esta mensagem ]




Versos lineares

 

 

Cansaço de tantas partidas,

e chegadas

minha vela ao vento partiu-se,

o casco de madeira de lei

já faz água,

e o mar é o mesmo,

 nas marés repetidas

onde sereias ainda cantam

e os vendavais já destroçam

os restos da cordoalha,

mas tenho a bênção

dos cardumes faiscantes,

multicores,

que me acenam de passagem

e me enriquecem a paisagem

 

que desvendo tão desbotada...

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h22 [   ] [ envie esta mensagem ]




Caso sério

 

 

 

Você parou

eu continuei,

você esgotou o cálice

eu sorvi os pingos,

os respingos

você se calou

eu não acatei

o silêncio.

 

Mas, quando você repensou,

eu  me fartei.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 13h47 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

 

Experiência

 

 

progride minha alma

e investe na paixão antiga

que me acalenta os invernos,

me põe brincadeira nas faces,

me inventa um atalho,

agiliza meus gestos,

 

segue desfiando as malhas

do meu tecido bordado,

que não careço de enfeites

ando agora desfeita

de disfarces,

de mãos dadas

com a irreverência

conquistada.

 

Dora Vilela.



 Escrito por Dora Vilela �s 12h20 [   ] [ envie esta mensagem ]




Politicamente incorreto

 

 

 

não choro mais poemas

fartos de pudor e continência,

risco fósforos nos pavios

das letras de pólvora,

atiro pedras nos muros

lingüísticos e insalubres,

rasgo meus gurus de cabeceira

que se inspiram em luas,

amordaço ecos fotogênicos

e cantigas amortecedoras,

dispenso platéia e mensagem,

parto nua, desarmada,

cara pintada de guerra,

arco, flecha e coragem.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 13h06 [   ] [ envie esta mensagem ]




Extrato dos meus “textos impublicáveis”

 

Sorrio de rosto apenas. É mimetismo de ver o lado risível da estreita realidade que me habita. Por dentro é choro puro de bicho acossado em chão ralo. A amplidão envia  claridades cruzadas nas grades. Transpiro o sangue dos culpados inocentes, que sentem o calendário vazando entre as mãos inertes. O tempo age incessante descarnando os ossos e as idéias. Migalhas escorregam dos visitantes alados que sempre se sabem bem-vindos. As canções sem linguagem transpassam as paredes com os sons do universo indomável e preenchem as lacunas sedentas. Minha boca se multiplica, alimentando-se ávida e precavida das bocas que lançam a saliva da existência. No peito arrebentado de amor descabido, o coração expulsa odes armazenadas nas noites compridas. Meu animal queixa-se do ar rarefeito,  querendo gozar delícias extra-muros. A consciência sabidamente poupa esses esforços que não passarão da primeira esquina da cidade dos homens. Meu cárcere é dentro de outro que é dentro de outro. Há que se retirar as escamas, descascar o falso brilho da alma que se revestiu de andrajos de purpurina e se pavoneia como dama medieval demente. As crenças se retiraram e esfriaram o piso da masmorra. Conto com minha carcaça adejante que sobrevoa rasteira e aproveita os restos ao seu alcance. Não grito por não acreditar em socorros e sei que os auxílios são o escárnio dos agiotas. Nem acelero meus desejos que se satisfazem sobriamente com a opção do pão de cada dia, sem caviar e champagne. Viver é escolher. Escolher é perder. Mas, se nascer não foi minha escolha, porque o resto tem que ser responsabilidade minha?

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h38 [   ] [ envie esta mensagem ]




Insatisfação

 

 

 

o que me queima não é o fogo

mas a avidez daquilo

que não se vê,

não se toca, não se apalpa,

em que  não se crê,

mas subsiste ali, lá,

ou aqui.

 

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 10h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




Versos prosaicos

 

 

Sei um pouquinho de mim

uma gota apenas fugidia,

mas sei dela,

é a que não se envergonha de

ouvir música clássica,

que sente um calor infernal

em todas as estações do ano,

que é curiosa ao extremo

em saber dos mistérios,

(apesar de mistério ser o

que não é para se saber),

aquela uma que adora

massagem nos pés,

que ri, à toa, à toa,

 até perder o fôlego,

(apesar de ter escutado

o dito paterno:

muito riso, pouco siso),

aquela que chora e fica

cega de inchaço nos olhos,

aquela que ama você,

meu instrutor

e mestre dessas descobertas.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h53 [   ] [ envie esta mensagem ]




Viciada

 

em miragens de simples ramas

imprimo meu olhar de morte,

derramo meu fardo de dor,

e, então, inicio os truques,

destempero o coração

prá que ele se alegre,

arejo as recordações,

falseio o pretérito,

trauteio ritmos breves,

colo-me asas de colibri

e relaxo as sobrancelhas,

contudo, meu cenho franzido

teima em se entreter

com a crueldade do efêmero,

TEMA pelo qual

me viciei em sofrer.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h36 [   ] [ envie esta mensagem ]




Casual

 

 

 

Seria tão engraçado

acontecer de novo aquele

amanhecer

onde acordei esquisita

sem circulação nos braços,

que, desajeitados

enlaçavam, apertado,

 teu corpo,

teu peso, teu sono pesado.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h39 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

Indefinível

 

 

que desejos esses hei de querer cantar

se não me caibo neles

sou maior que eles

e viajo às estrelas, que são olheiras

de quantos as olham e desejam,

que desejos hei de engrandecer em mim

se minha fome é devastadora

e não quer carne e coito

mas o infinito entendimento

de grito e silêncio,

 em azul ferroso

 e etérea pedra,

eu e mundo,

eu e você.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h24 [   ] [ envie esta mensagem ]




Caros amigos

 

O Dia das Mães me trouxe vários presentes. Um deles me foi dado, carinhosamente, por uma outra mãe, que todos, aqui nos blogs, conhecem bem, pela generosidade, altruísmo e pelo enorme coração! Estou falando da Loba, ou da Euza, o que dispensa  referências e explicações. E, sei também, que Alex a ajudou na confecção desse presente. Alex, aquele menino-poeta, que também já aprendemos a admirar tanto.

Agradeço aos dois, e, como sou amante das flores, sempre as deixo falar por mim...

Uma porção de flores para eles!!!!   Junto com meu coração aquecido!

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h09 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para minha mãe, que ama os girassóis, um campo deles, só para ela!!!

E para todas as mães, minha homenagem, em forma de todas as demais flores...

 

Trocas

 

Minha mãe foi moça faceira

e zelosa

cuidou de nós

filhas mimadas e

sonhadoras,

falava de horizontes

que não chegaram prá ela,

e hoje que ela

já não sabe bem o que fala

a enxergamos exatamente

extasiada

na linha entre o céu e o mar.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 15h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

Poema mal comportado

 

 

 

quando se ama

fica-se natural

e na hora do amor

nada importa entre miasmas

e secreções

a paixão mistura as origens,

as impressões de baton

se tornam pinturas de Dali,

os suores, perfumes de Chanel,

e o gozo supremo,

o mais doce mel.

 

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h52 [   ] [ envie esta mensagem ]




Remorsos da poesia na própria pátria

 

quem ouve trovadores

em meio à fome da carne?

quem se ergue e se dignifica

sem sua humana identidade?

quem se ufana de ter raízes,

se não tem chão, nem teto?

quem ousa agendar uma alegria

se a confiança nela apagou?

quem desconhece que o sol

nasceu para todos?

quem responderá pela insânia

que coleia em terras brasileiras?

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 13h35 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Caso perdido

 

 

 

A palavra chama, encanta,

acena, subverte, seduz

a cena que quer para si,

espia o mar, espumoso,

a brisa, brincalhona,

foca os tons do ocaso

sempre diversificados,

enlouquece em elucubrações

e tenta apanhar raios de sol,

 

a palavra diz, escreve, sonda,

volteia, faz piruetas,

e nada muda,

A cena continua ali.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h00 [   ] [ envie esta mensagem ]




Saudação

 

Vida crua que me mordes impiedosa

e me mostras a paixão pelo avesso,

 ainda sóbria te enfrento

com armas obsoletas

que a mim ofereceste

cinicamente amorosa

 

Vida que me criaste

vulnerável à sedução

de teus encantos de veneno

que derramaste aos meus pés

para que humilde me abaixasse

 

Vida que me adormeces

com a narcose de teus laços

e me fazes berceuses de plumas

em leitos de pregos,

eu te saúdo com meu copo

pleno de tuas ofertas

e te brindo

com meus lábios de hipocrisia.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h38 [   ] [ envie esta mensagem ]




Olá gente boa!!

Voltando aqui para esse universo, lendo a Loba, que já está "armando confusão"...rs

Um poema para a Dona Loba!!!!

Amar, verbo transitivo

 

Simples assim

amar você,

põem-me dúvidas

fazem-me charadas

por aí,

conjugo o verbo

decoro a lição

prá mim tanto faz

a regência de amar

meu desejo é ser regida,

seu objeto, direto,

que só deseja ser

amada, querida, ou margarida...

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h18 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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