Outra instância

 

 

 

Procuro a porta com certeza aberta para fora dessa pele que me encerra e me condiciona a ser o que não quero.O que sou é mentira. Eu tenho poucas verdades. Uma delas é que amo você.

Busco em bicos de pé, para não assanhar as aranhas da cortina que me separam do tempo ido. Não acordar os passados amortecidos porque eles fingem dormir mas estão somente em sonolência ligeira.

O sofrido atrapalha o vindouro, ofusca o olhar e o que chega agora não deve ser nem alegre, nem triste, deve ser o novo apenas, para se escolher livremente sem as consultas às sombras.

As saudades necessitam ser distraídas de seus assaltos impudentes, de suas mãos poderosas que apertam a garganta. Saudades têm um valor decisivo em questão nova. Na verdade, são como um peso morto que impõe sua presença insuportável no caminho limpo em que se intenta farejar trilhas. Não quero as saudades. Só quero você.

A porta aberta continua lá no convite e eu me desembaraço dos lastros dos remorsos, dos volumes nos armários, dos grilhões de fitas coloridas.

Esses fardos são como anzóis na minha carne, eu mesma ansiei por eles e os engoli um dia. Não os quero. Eles me separam de você. Só quero você.

E a porta escancarada me chama para fora de mim, para uma região onde me verei a mim mesma. Com olhos de novidade. Meu novo é sempre você.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 13h39 [   ] [ envie esta mensagem ]




Aparências

 

Era numa espécie de chácara que se localizava a casa grande, pé direito baixo, rodeada de varandas compridas.

Ao redor, canteiros irregulares de flores desajeitadas, marias-sem-vergonha, rosas pálidas, devido a regas insuficientes e contínuo desmazelo.

Atrás da casa, elevavam-se, a espaços, árvores frutíferas, pouco robustas, mas ainda fornecedoras de sua produção: laranjas, limões, amoras, goiabas.

A casa era habitada por crianças, inúmeras, comandadas por alguns adultos circunspectos e de ar zangado. Tratava-se de um abrigo de órfãos, que assim se tornaram nem sempre pela ocorrência da morte dos pais. Todos não passavam de vítimas do infortúnio, do descaso, da desunião, da desumanidade.

Nenhum daqueles seres miúdos que ali dormiam e se alimentavam sabia o significado e a ternura de um beijo macio antes do adormecer. Ou de um carinho gratuito.

Apenas permaneciam sob um teto, com cama e refeições reguladas.

Duas senhoras de meia idade, Tia Josefa e Tia Nena, cuidavam de todos, como se cumprissem uma tarefa incômoda e indesejada. Ríspidas, davam ordens às demais moças incumbidas da cozinha, da limpeza e da roupa.

As crianças se mantinham uniformizadas com simplicidade e realizavam todas as atividades do cotidiano, juntas, e sob comando, numa semelhança de penitenciária mirim. E cresciam lentamente, num calendário repetido que só se diferenciava no dia em que recebiam a visita do Diretor da Casa.

Nesse dia, comiam mais, talvez até doces, depois de se perfilarem, forjando alegria e recitando a lição aprendida de cor, sobre o agradecimento por tudo que ali recebiam.

Nada podia ser revelado dos acontecimentos nas sombras. Nenhuma Tia deveria ser contrariada.

Podiam até se divertir, com parcos brinquedos doados pelas famílias generosas de filhos com pais.

Mas, sem algazarra, sem alarido, e nada de apanhar frutos das árvores.

Obedeciam todos, menos o Daniel, que subia na goiabeira e se deliciava por lá. Pelo menos, até o dia da inesperada chegada da Tia Josefa. Ela o viu e o chamou mansamente. Ordenou que ele apanhasse mais goiabas e enchesse uma enorme vasilha. E, diante de todos, o fez comer, de uma a uma, até a última fruta.

Mais tarde, quando ele passou mal, foi levado ao médico que ouviu a versão da peraltice confirmada pelas demais crianças.

Mas, Daniel não se recuperou. Acabou falecendo.

Tia Josefa então orientou a todos nas respostas que dariam ao Diretor, caso ele fizesse perguntas sobre o fato, na próxima visita.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h17 [   ] [ envie esta mensagem ]




Múltipla

 

encontrei a mulher que sou

nos meandros da multiplicação,

 mulher-telúrica

de corpo que é berço

de sêmen, de semente

e de semeadura,

que o ventre rasgou

e dele arrancou 

os frutos e flores

que o leite nutriu,

 mulher-contemplação

do calor volátil

 que se espalhou

em várias direções,

do sangue esparramado

cumprindo vocação,

mulher-prelúdio

dos caminhos abertos

pelas próprias mãos.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 18h02 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para a Claudinha, meu “transmimento de pensação”

 

Castigo

 

de curiosa que sou,

andei à procura da lua,

da lua dos enamorados...

a olho nu, não a percebi,

com minha luneta mágica

nem rastro avistei...

consultei boletim meteorológico,

pesquisei fotos de satélites,

que minha era permite essa busca,

folheei revistas e jornais,

viajei nos computadores,

que minha época é progressista,

inquiri internautas e astronautas,

indaguei aos videntes,

fiz uma promessa aos deuses,

que tudo vale um desejo,

verifiquei geografia,

sobre ciclos lunares,

inútil tentativa,

infrutífero cansaço,

não pude encontrar a lua,

a lua dos enamorados,

não sabia, no entanto,

que ela é visível, tão fácil,

a eles, os enamorados...

e, rancorosa, se esconde

daqueles que esquecem o amor.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 10h41 [   ] [ envie esta mensagem ]




É fácil morrer

 

 

Ouviu o assobio dele. Um sopro musical que não era canção nenhuma. Um franzir de lábios e um som. Cacoete. Não achava bonito.

Por que não assobiava uma música do rádio que os cantores cantam com a boca? Nessas canções ela se embriagava no embalo das palavras que falavam sempre de um bem-querer, de um coração apaixonado, quer dizer, sentimentos de todas as pessoas desse mundo.

Todos sentem algum dia um amor, como ela havia sentido por esse homem, que agora só sabia assobiar como se soprasse um apito de juiz de futebol.

Ela queria que ele ao menos cantarolasse, ou então falasse algumas frases românticas, você nasceu prá mim, ou a lua se escondeu, mulher, de vergonha da sua formosura, essas coisas tão lindas!  Mas, sem ela pedir.

Uma amiga tinha um namorado que escrevia bilhetes prá ela e a chamava de “minha rainha”. Como pode uma pessoa não morrer de paixão por um homem assim? Que além de falar bonitezas, ainda escrevia em letras, no papel, onde a amiga podia ler, bem devagar, depois, pensando naquelas frases sussurradas, nos carinhos trocados?

Esse homem que chegava assobiando não fazia diálogo elegante com ela, falava pouco, o trivial, só sabia ir se encostando nela, quando queria transar, porque aquilo era transar, do jeito que aprendera a palavra na boca do povo.

E ela desejava fazer amor, com beijos entrecortados de palavras de beleza, que juntassem flor, lua, aurora, essas naturezas, com o nome dela, com as coisas do corpo dela.

Não queria aquele jeito de bicho que grunhia, ou gemia, parecendo que recebia suas carícias com raiva.

E o pior era depois, quando acabava de gemer e se desinteressava dela, desfazendo assim o sentido do que havia passado.

Agora, não suportava nem as conversas bobas dele, só contando em palavras miúdas os casos do serviço, olhando mais para o prato de comida ou para a tela de televisão.

Nem no aniversário dela tinham mais graça aqueles agrados de vidros de perfume ou os colares de contas coloridas.

Preferia um ramalhete de rosas bem vermelhas, e no meio delas encontrar um cartão com versos rodeados de corações, onde ela era comparada às flores.

Estava desistindo de amar esse homem vazio de tudo o que ela precisava para ser feliz. Só convivia com a presença dele. Seca, num silêncio triste, prá ele entender. Mas, ele não entenderia era nada. Nunca. Não poderia deixá-lo. Era um bom homem. Porém, sem encanto.

Nessa vida sem beleza ela ia definhar. E, em pouco tempo, percebeu que sua audição estava tão fraca que não ouvia o rádio nem a televisão no último volume. Ensurdecera. De raiva. Só podia ser. Nem o assobio dele ouvia mais. E logo iria ficar cega. Também.

 

Dora Vilela

 

 

 



 Escrito por Dora Vilela �s 12h32 [   ] [ envie esta mensagem ]




No compasso de Mercedes Sosa...

 

GRACIAS A LA VIDA

 

 

que me deu a água que não é suja,

 

me deu o claro olhar de meu homem,

 

meu corpo que sente

o fruto e o beijo,

 

meu coração calejado

que sabe pulsar,

 

meu sono viajante,

 

meu sangue rubro

que recobre montanhas e vales,

 

minha matéria humana

que ama o canto, o contracanto

e o acalanto,

 

meu sentimento que

arde  e prova

do proibido,

 

meu saber que faz

meu tempo

e desfaz o caminho,

 

meu espaço que ocupo

e minha disposição de entregá-lo

ao outro que me sucederá.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 14h16 [   ] [ envie esta mensagem ]




Possibilidade

 

Havia um vento que punha as folhas em desassossego e as redemoinhava no chão. Parecia chuva iminente, sentiu, piscando os olhos. Os grãos de areia lhe provocavam um começo de ardência. Era urgente cair água do céu naquela aridez de quase dois meses.

Não era bem sua a idéia que formulava sobre isso, era ressonância de conversas de adultos. As pessoas grandes falavam muitas coisas sobre variações do tempo, vai chover, vai esquentar, está prometendo estiagem, e seus ouvidos registravam tudo. O avô mesmo olhava o céu e dava o veredicto, nuvens em forma de carneirinhos eram sinal de frio chegando. E outras informações sempre certeiras. Também o avô era bastante velho, com aqueles cabelos alvos, e já tinha as lições do tempo bem aprendidas. Ele era menino, estava prestando atenção, bem aguçados os sentidos todos, ia saber tudo um dia.

Adultos falavam alto entre si, na presença dele como se ele não existisse ainda na compreensão.

É verdade que compreendia um pouco pela metade, perdendo-se nas palavras que variavam de sentido, dependendo do jeito e do tom da hora. E quando queria aprofundar,  mandavam-no  retirar-se. Como quando Aninha ficava na cama e ele não podia perguntar. É coisa de mulher, vinha a resposta pela sua curiosidade em saber da irmã. Tinha medo de que ela morresse. Morrer é sumir de vista.

Recostou-se nas raízes da árvore, cujo tronco rugoso lhe fazia cócegas na pele nua.

Ele queria também dias de ficar na cama e exigir aquelas caras de mistério que as pessoas faziam pela Aninha. Também sentia uma tristeza à toa que o derrubava e que devia então ser coisa de homem. Pensava comprido no grito do sanhaço e, em seguida, no seu vôo de flecha a se desmanchar no céu, quando vinha aquela agonia de sentir sem explicação. Que doía. Apertava o peito ver coisa bonita e fugitiva. Parecia que o instante era de mentira. Chegava e já partia. Como falar disso para outra pessoa? Se nem sabia bem o que era. Só sabia que era uma dor seca e se repetia nas mesmas condições.

Ver o filhote de égua, que nascera e já se erguia manquitolando, tentando se aprumar, o deixou numa alegria esfuziante. Mas, num repente, ao ver o bichinho a trotar de manso, já veio a tristeza. Ele acabara de vir ao mundo e já se incorporava ao destino de um dia virar adulto e ficar velho, e...

Ah! Era um menino estranho, falavam dele e ele achava que os outros tinham razão. Nesse pensamento, correu atrás do rastro de uma borboleta que, revoluteando, pousava na relva, antes que ela alçasse vôo e seu olhar a perdesse no azul. Sua beleza também o deixaria. Alcançou-a e ajoelhou-se a admirá-la. Ela misturava-se ao verde e só o leve arfar das asas a denunciava.O menino fixou-se nela. Quase não sentiu os pingos da chuva. Quando a terra lavada ergueu seu cheiro penetrante, ele levantou-se, levando na mão a eternização do que vira. Apagou-se a dor nele. A borboleta pousada no dorso da mão, as asas  úmidas, não tentou voar. E ele a levou, para contemplar de perto, no aconchego do seu quarto, a efemeridade que ele julgara domar.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h32 [   ] [ envie esta mensagem ]




Convívio

 

_ um leve franzir de sobrolhos

_uma entonação imperceptível

no até-logo corriqueiro

_uma hesitação na volta da chave

da porta de entrada

_um aceno não finalizado

_ a partida ríspida no carro

que é novo

_o olhar displicente

ante um decote que já causou

um atraso de festa

_uma flor completamente

fora de data de celebração

-um vagar perdido

com a tragada longa no cigarro,

 

_miudezas, minúcias, nada,

mas são muito...

quando são apenas

nossas senhas.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 15h21 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Hoje tem um artigo meu no "Miolo de Pote".

Vamos conferir??

Pausa

 

 

 

Em meio a esse conturbado e vaidoso mundo que me cerca, resolvi fazer uma pausa.

E, nessa resolução, deixei tudo de lado, e me vi relendo meus textos “impublicáveis”.

Um deles, simples e singelo, me valeu, nesse auxílio de repouso.

 

Ao meu filho Marcelo

 

Você chegou, pequenino, delicado e loiro. Tão tenro e alvo, com sua penugem de bebê!

E ficou meu bebê loiro, até hoje, porque sua cabecinha frágil na aparência externa o é também por dentro.

Você, meu filhinho loiro, nasceu diferente de muitos milhões de filhos. Diferente, porque para mim você é único, e depois porque você é uma criança chamada “excepcional”.

E você é excepcional para os de fora, no sentido biológico da sua diferença de cromossomos.

Mas, para mim, que o gerei, é excepcional na capacidade de conquistar o meu amor.

Você nada pede na sua impotência, mas a gente tem vontade de lhe doar um mundo.

Diante de seu inocente existir, tão inocente que nos deixa perplexos, todos nos tornamos melhores.

Sua pureza faz a gente se sentir às vezes um humilde ser humano pecador, que só lhe deve perdão.

Você, meu filhinho loiro, talvez não possa criar ou inventar coisas grandiosas para os homens materialistas. Mas, você transforma a vida em algo leve, lúdico e verdadeiro.

Você redescobre para nós o ar primaveril perdido na manhã esmaecida da nossa infância.

Sei que você pode sofrer e se machucar com a maldade humana, porém seu coração não abrigará nunca a marca indelével e triste do remorso.

Apesar de tudo, você sorrirá muito mais nesta vida do que os outros dotados de consciência.

Meu anjo querido, malgrado os poucos talentos que lhe foram confiados, sua missão se me afigura assaz elevada.

Inicialmente você desceu à minha simétrica e bem traçada existência e a desmoronou. Agora você mesmo a recompõe  para mim, sem ordem e precisão, com a desequilibrada destreza da realidade.

Muitas vezes, quando seu pequenino mundo foge ao meu lógico raciocínio, você me constrói de novo.

É aí, na falta de comunicação que você me comunica seu mistério. Eu só chego até você pelo amor.

E só amor é o que você tem para dar, multiplicar, esbanjar.

Com você, meu anjo loiro, creio que ganhei, não uma cruz, como antes pensei, mas uma dádiva infinitamente preciosa.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 13h13 [   ] [ envie esta mensagem ]




Desafogo

 

com minha eterna viola

ponteio um mundo barroco,

dedilho uma canção que ultrapasse

meu transitório penar,

faço meu cancioneiro

das sendas inverossímeis

que na esperança percorri,

há flores murchas,

gestos inolvidáveis, vozes mortas,

há gosto de sangue,

cantigas de gesta e nobreza

saindo da minha viola,

quixotesca e sem memória

é a corda que eu tanjo,

não me importa a confusão

nem o excesso de notas,

tenho que cantar agora

em ritmo de precisão,

antes que se perca o mote

que tomei por decisão,

minha viola se solta,

abarca mil dedos e mãos,

desatando as notas presas

em gargantas que nascer inda vão,

explode em sons inaudíveis

prá quem não sabe da vida,

mas espalha meu canto

e de favor me livra o peito

do lento, pesado fardo

que me trouxe este viver.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 09h20 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

Um poema para a Luma , que gosta de “luz”

 

 

 

 

Jogada

 

 

Na obrigação de viver

preparo devaneios azuis

com paisagens de muitas asas,

atravesso a selva da linguagem

esmagando termos amargos

como se colhesse morangos

na boca dos dicionários,

 

não renego o estrume e o lodo

nem as lagartas famintas,

 

mas me alço em ramos oblíquos,

e no meu jogo disfarçado

penso que logro a sorte

e então, matreira e atrevida,

remanejo toda a vida.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 20h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




Bucólico

 

No campo, vidinha, vestida de chita, estampa a se confundir com o silvestre de fora, de rara primavera, previsível rotina, delimitada em estações.

Odor de estrebaria, aboio dorido de gado, coaxar ritmado, nas grotas alagadas, estridente chilrear, pelas frondes espalmadas, doações da natureza.

O vestido de chita foi à cidade grande. Provou ares, sofreu tonturas, respirou cheiros.

A floresta mais temível engoliu o campo, naquela atração total da paixão fulminante.

Tropeçou no asfalto o vestidinho de chita, magoou os joelhos.

O céu de aço se abriu, o cavalheiro, de chapéu na mão, gentil lhe sorriu, e a ergueu do asfalto.

Foi só esse gesto. Um só. Uma alegria estranha. Uma só.

O vestido de chita não se refez da queda e do encanto.

Passeio na roça, confidência às florinhas, o campo é o mesmo, mas o vestido mudou: derramou o sonho e estendeu o horizonte.

Houve um dia, uma cidade grande, exuberante, misteriosa, e um acidente, um feliz repente, que pela vida afora, já lhe bastou.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 18h22 [   ] [ envie esta mensagem ]




Compromissos

 

 

estou sempre indo,

mas me levo comigo

minha bolsa de identidades

meu mesmíssimo jeito

e trejeito

o olhar vago

e embaçado

que prioriza nuvens,

o coração fragilizado

que mostra sob a roupa

as sístoles do amor

as diástoles dos encontros,

a transpiração do amor,

estou sempre indo

_mas o que pesa-

é que vou levando,

sem gosto nenhum,

as encomendas

que nem sei

se vou cumprir.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 18h32 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
Outros Textos:
  01/08/2009 a 31/08/2009
  01/07/2009 a 31/07/2009
  01/05/2009 a 31/05/2009
  01/04/2009 a 30/04/2009
  01/03/2009 a 31/03/2009
  01/02/2009 a 28/02/2009
  01/01/2009 a 31/01/2009
  01/11/2008 a 30/11/2008
  01/10/2008 a 31/10/2008
  01/09/2008 a 30/09/2008
  01/08/2008 a 31/08/2008
  01/07/2008 a 31/07/2008
  01/06/2008 a 30/06/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/03/2008 a 31/03/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/08/2007 a 31/08/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/07/2005 a 31/07/2005
  01/06/2005 a 30/06/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/04/2005 a 30/04/2005
  01/03/2005 a 31/03/2005
  01/02/2005 a 28/02/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005


Links:
  uol
  Adélia
  Ádina
  Ana Lúcia
  Ana poeta
  Aninha
  Beti
  Clarice
  Claudinha
  Cris
  Crys
  Dauri
  Diovvani
  Elza
  Ery
  Fabrício Carpinejar
  Francisco Dantas
  Francisco Sobreira
  Grace
  Jacinta
  Jens
  Jota
  
  Lino
  Lívia
  Luma
  Manoel
  Márcia Clarinha
  Maria Augusta
  Marco
  Miguel
  Mônica M.
  Nora
  Pedro Pan
  Renato
  Saramar
  Tânia
  Yvonne
  Wilson
  Zeca
  Shi
  Boca
  Bisbilhoteira
  DO
  Soninha
  Fernanda
  Cecília
  Bia
  Adelaide
  Eurico
  Bosco
  Mai
  Élcio
  Joice
  Dácio(novo)
  Ilaine
  Edilson
  Euza
  Sandra
  tb
  Moacy
  Simone
  Amarísio


VOTA��O
 D� uma nota para meu blog!







O que � isto?