Ciclo

 

 

 

 

ah! tempo é curto

tempo urge

é só perceber o desmaio da noite

ao menor indício de sol

 

provisória é a manhã

que a tarde recolhe

para a noite

que se recobra

do súbito desvanecer.

 

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h49 [   ] [ envie esta mensagem ]




De certezas e casualidades

 

 

 

A vida se mantém um enigma, apesar das tentativas milenares de explicações, justificativas, esclarecimentos, elucidações.

Há sempre uma procura de dados rigorosos para se acalmar a ansiedade de estar vivo. Há uma busca de apaziguamento em certezas e verdades.

Quem se baseia na lei das probabilidades consegue um certo descanso. Afinal, existe um resultado quase matemático nas configurações dessa lei.

Numa exemplificação comum dessa “probabilidade”, pode-se pensar em alguém  alcoolizado que dirige um carro, em péssimas condições, pneus carecas, faróis danificados, em dia chuvoso, numa rodovia perigosa, em viagem de volta de um “feriadão”. A chance de haver um desastre_ e arrisco mais_ fatal, pode chegar a cem por cento. A morte aí, ou a explicação da vida que se finda, pode ser facilmente entendida e aceita pela mente lógica.

E existem mil casos onde as probabilidades apontam para a certeza, ou quase certeza do evento que virá.

Porém,  seguindo a linha desse raciocínio, fica-se sem resposta quando tudo foge à lei das probabilidades e do reto pensamento.

Por que, em certo momento, alguém toma uma condução para casa, como o faz diariamente, e, no meio do caminho, a terra se abre, como no caso da cratera do metrô de São Paulo, e engole sua vida? Onde encaixar essa explicação, a não ser no azar, que é fruto do acaso e do imprevisto? A probabilidade de acontecer o fato, com essa pessoa, pode chegar a  0,00001 por cento. Dentro da cidade que conta com milhões de habitantes, “ela” estava naquele lugar errado, na hora errada.

Como há o oposto do azar, que denominamos “sorte”, quando a probabilidade é mínima e a pessoa acerta números escolhidos aleatoriamente dentro das quase infinitas combinações deles, na Mega Sena.

Há casos completamente fortuitos e inexplicáveis que atribuímos, sem questionar muito, ao azar e à sorte, e que caberiam dentro de probabilidades, como é o meu caso de gerar um filho com síndrome de Down. Minha chance era de 2,4, em mil, levando-se em conta que eu já possuía mais de trinta anos de idade, na ocasião em que engravidei dele. Azar?  Pode ser. Mas, a Medicina, que progride velozmente em pesquisas  na área da Genética, terá explicações e até prevenções para essa anomalia dos cromossomos. Pode passar para a “lei das probabilidades” o que hoje chamamos de “acidente” sem explicação.

Refletindo-se mais, talvez cheguemos à conclusão de que a vida é um enigma que pode ser decifrado, em algum futuro muito longínquo.

Num futuro em que tudo pode ser calculado e previsto, o mistério pode acabar. E, quem sabe, as indagações cessem. E até a Arte morra.

Será?

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h53 [   ] [ envie esta mensagem ]




Paul Gauguin

 

Apesar de querer “prosear”, a vontade de “poetar” apareceu...

Então, um intervalo.

E um poema.

 

 

 

 

Temor

 

 

 

 

temor da poesia que joga ácido nas coisas

corroendo a tinta e o seu verniz natural

angústia de poemas derramados no oco do sentido

sem nenhum dobrão de festa

pânico de enxergar nas palavras de osso

a verdade que a carne encobria

 

mas, é essa a visão que a poesia exige

e esse o caminho que ela premia

 

enfeite é para o que não tem coragem

de arranhar a pele na aridez do dia

para o que falseia e ludibria

 

poesia que se preza exige ousadia

de amar a aparência do feio

até dele arrancar a pura melodia.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h01 [   ] [ envie esta mensagem ]




Escapismo

 

Abri o pequeno portão de ferro, um tanto emperrado, e penetrei no jardim. Era como sempre bem cuidado. Os canteiros retangulares se mostravam repletos de flores coloridas, de variados matizes. Nos muros, já as trepadeiras e heras se enrodilhavam em lânguidos galhos pendentes.

Aromas sutis subiam da terra recém-molhada. Não eram flores raras, as que ali cresciam. Eram apenas espécimes multicoloridos. Eu amava sobretudo aquela profusão de cores, por isso assim formara meu jardim.

Sentei-me no banco e contemplei as azaléias vermelhas, circundando os canteiros. Que outro ser, no mundo, poderia apresentar uma identidade de objetivos por mim almejada, senão a flor?

Que caminho tão simples, natural e comum segue uma planta: da semente obscura, oculta, ao crescimento e à transformação. Em seguida, a beleza colorida, obsequiosa e inútil Quem tem olhos para ver, vê a flor e vê tudo.

Quando me sentia confusa diante das verdades estabelecidas, corria a buscar meu jardim e escutar sua mensagem.

De todos os enigmas que eu procurava decifrar, o tranqüilo estar-no-mundo das flores me atraía desde muito cedo. Quando menina, fase em que eu já apresentava aquela inquietante ausência de senso prático, quedava-me horas observando a vida no jardim.

Não se tratava da curiosidade científica do naturalista, nem da contemplação estética do poeta. Era sobretudo a perplexidade ante aquela existência plena, intensa e sem complicações.

Um dia, escutara meu filho estudando os vegetais e ouvira a pergunta fatídica do professor: “ para que servem as plantas?”. Antes que o menino continuasse a leitura, eu já sentia aquele doloroso mal-estar brotando de algum lugar dentro de mim. Procurar enquadramento das coisas e pessoas nos devidos sistemas da praticidade, eis o que me deixava assim aturdida e triste.

Talvez a vivência um tanto irreal que levava entre as pessoas me fizesse sentir aquela incômoda e persistente sensação de culpa, que me impelia  a buscar as flores.

Aspirava o cheiro da terra, procurando alcançar, com as narinas, as entranhas daquele mistério. Se pudesse existir apenas naqueles momentos, ficaria ali, impassível e imóvel para sempre.

Entretanto, meus condicionamentos antigos e estruturados ajudavam-me a sair dali. Já havia aprendido a ficar entre os outros e a sobreviver. Há vidas com as quais vale a pena comungar. Há flores no jardim humano.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 13h25 [   ] [ envie esta mensagem ]




Sem medo de ser feliz

 

No comentário, Sayô lembrou Guimarães Rosa: “ Viver é perigoso”. E eu complemento: “ viver é muito proveitoso”. Depende de como se faz a aprendizagem.

Eu queria aprender a vida em corpo de passarinho. Com plumas, bico, asas em dupla.

Festejar meus folguedos na queda rasante.(Tenho sonhos assim, dentro do sono).

Furar nuvens, para olhar de perto as gotas que ainda serão chuva. Mudar mil vezes de ponto de vista. Enxergar do viés dos frágeis beirais.  E dos varais domésticos. Ser convidada para as revoadas e fazer amizades emplumadas.

Nos períodos estivais, fugir do abraço tórrido dos raios do sol e buscar as neves, na total liberdade de criar estações do ano.

E ser frugal. Alimentar-me do festim da minúscula minhoca. Ter um corpo quase invertebrado, leve, imune a esforço. Quase anjo.

Namorar meu par nos galhos flexíveis das árvores frondosas. Cuidar do ninho de amor, proteger as crias, mimá-las com insetos de bico a bico. As pequenas asas fortalecidas, fim de preocupação. Só assistir aos filhotes no vôo inicial. Missão cumprida.

Voltar para as alturas. Folgar de novo, visitando os campanários e os cumes dos montes.

Outros amores. Outras revoadas.

Passarinhar na vida, sem consciência do perigo.

Tenho quase certeza de que o mundo é dos pássaros.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h41 [   ] [ envie esta mensagem ]




Contra-senso

 

Gostaria mesmo de ser “filósofa”, como brincou Adélia, no comentário do texto passado.

Não o sou, entretanto.

A Filosofia ( citando Marilena Chauí) é a busca do fundamento e do sentido da realidade em suas múltiplas formas, indagando o que são, qual sua permanência e qual sua necessidade interna que as transforma em outras. O que é o ser e o aparecer-desaparecer dos seres?

Não sou, pois, filósofa nessa acepção rigorosa e específica de alguém que se ocupa apenas dessa contemplação do mundo. Realizo muitas outras atividades pouco condizentes com as do verdadeiro filósofo.

Claro que me esforço em não viver às cegas, sem refletir seriamente na condução dos meus atos. Tenho “procedimentos” de filósofa, mas estou longe dessa categoria de pessoas, infelizmente.

Conduzo-me de forma atenta para não me conformar com a ingenuidade e os preconceitos do senso comum, para não me deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos. E, talvez, essa mania de esmiuçar tudo esteja “inscrita” no meu código genético.

Mas, ao mesmo tempo, realizo momentos que contradizem totalmente esse meu jeito de ser.

Outro dia, exagerei no exercício da minha liberdade...rs

Brincando no quintal, com minha neta, EU joguei uma bolinha de tênis para cima do telhado.Moro em uma casa térrea, cuja cumeeira é bem elevada. E, como ninguém aceitou a incumbência de buscar a bolinha, eu, que fui a  autora do meu “ato livre”, decidi  apanhar a  “danadinha”, com remorso de ouvir mil reclamações de que ela iria entupir a calha que recebe água da chuva, etc...

Contra todas os gritos de terror e as exclamações de receio, subi lá nas alturas(não me perguntem como!!!!!). As telhas estavam quentes demais(estava sol...) e há uma forma adequada para se andar sobre elas, para evitar parti-las. E eu não aprendi isso, na minha vida prática. Fiquei sabendo, naquele instante, pelas recomendações que me chegavam aos ouvidos, na voz dos que estavam sãos e salvos, no chão...Quando arrisquei um rápido olhar para baixo, tive uma passageira intuição de que não sairia viva da empreitada. Os olhares das pessoas,(minha empregada, minha nora, meu filho, minha neta...) demonstravam  perplexidade, reprovação e medo!!!  Com o coração descompassado, fui me equilibrando e...apanhei a bolinha. Mas, tive que voltar deitada sobre as telhas, mudando a posição do corpo...ou seja, me arrastando devagar. Passei o diabo lá em cima...me machuquei, me arranhei, quase me estrepei....E vinha pensando na minha inconseqüência. Afinal onde estavam  minha prudência e meu bom-senso? E, o principal: como fui me esquecer da lei da gravidade??!!! Até chegar em terra firme, vivi um pesadelo!

Portanto, de pouco adiantou minha “filosofia”ou minha “pretensa sabedoria”, diante da minha tola vaidade de tentar negar os limites da fragilidade humana.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h09 [   ] [ envie esta mensagem ]




Um pouco de mim

 

Tenho uma tendência irritante, ou assim deve parecer aos outros, de nunca aceitar passivamente o que me passa pela frente. Seja um acontecimento, um fato corriqueiro, uma proposta, uma idéia, um pensamento alheio, eu sempre faço um exame detido de cada aspecto da coisa apresentada.

Não o faço, porém, com o intuito de desconfiança ou de exibicionismo. É uma espécie de curiosidade compulsiva que experimento diante da realidade.

Posso causar a desagradável impressão de um inconformismo tolo e de uma rebeldia sem causa. Mas, asseguro que não se trata disso, ou pelo menos, não encaro dessa forma.

Trata-se, na verdade, como já me analisei, de um traço de caráter extremamente obsessivo de querer entender a fundo a natureza dos fenômenos vitais.

Isso exposto, posso falar da minha dificuldade de escrever textos em prosa, veiculadores de idéias e de juízos de valor.

Como costumo enxergar as coisas por um ângulo muito particular, receio ofender pessoas pouco propensas a aberturas e a questionamentos que talvez lhes causem estranheza ou que desestabilizem seu habitual modo de ser.

Não quero dizer que vivo por aí a chocar e a escandalizar pessoas. Nem que tenho pérolas de conhecimentos e idéias inovadoras e grandiosas. Saliento apenas o jeito perquiridor e inquieto que molda minha observação.

Sou fanática por um debate de idéias, gosto de discussões, argumentos e contra-argumentos.

O problema que se me apresenta é que, ao lado desse modo arrebatado, possuo uma índole pacífica e avessa à agressividade. Na vida prática, sou capaz de chegar às lágrimas diante de um tom de voz mais ríspido dirigido a mim. Sinto-me pouco à vontade com uma simples atitude áspera ou grosseira.

Aprecio o calor do jogo da dialética, mas não tolero o rebaixamento do discurso com finalidades outras que não sejam as de aclarar e aprofundar a questão em debate.

Mas, resolvi que vou deixar de lado esses receios. E vou começar a expressar aqui, nesse espaço, que é uma espécie de tribuna, meus pensamentos, em formato de prosa(como já disse antes), já que a poesia é uma forma sintética e metafórica, que pode comportar interpretações excessivamente subjetivas.

Agora, poderão perguntar: para que tanta explicação?

Porque também sou assim: explicativa, elucidativa, discursiva....rs

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h25 [   ] [ envie esta mensagem ]




Considerações da meia-idade ( só entende quem passou dos trinta...)

 

 

 

Na sombra que me rodeia, me reconheço dupla. Investigo minha presença palpável na realidade e agradeço à luz que produz a sombra. É por ela que me pressinto corpórea, por ela que me garanto habitante do espaço. E por causa dela, sei que realizo movimentos, que eu comando. E então descubro outra realidade. A interior, que não tem sombra, que não tem reflexo, que não se consegue apalpar. Dúplice sou eu, nessa unidade contrastante.

Daí meus embates surgem. Desse ambíguo jeito do ser. Que se exterioriza em corpo e se internaliza em consciência. Que se expõe à chuva, ao sol, ao frescor do vento e se deteriora. Mas, que renasce e se renova, a cada exposição dessa. Sou um ente que permite o invólucro se desvanecer, para recolher a riqueza no núcleo. E assim é o envelhecimento humano. Um tesouro de energia vital acumulado num baú, cuja substância vai se desgastando, enferrujando as dobradiças, soltando as aparas do madeirame, carunchando as bordas, desfazendo a estrutura. O tesouro deveria permanecer intacto, mas também se põe a escoar pelos orifícios do velho arcabouço que não o sustenta mais.

Envelhecer é ver a sombra se apequenando, se encurvando, se adaptando à medida do corpo que vive no tempo e nas intempéries. E o tesouro interior adquirido à custa das trocas desse “duplo” se torna egoísta, e saudoso de sua parceria igualitária. Na velhice, os portos e cais, onde aportam nosso baú de ouro, tornam-se precários e não os transportam mais. Nossa  composição que era desigual, com o corpóreo novinho em folha e o interior pobre de riqueza, se desequilibra agora, na proporção inversa. Ingrata natureza?

E haverá o desfecho final, em que o invólucro se desintegra e leva consigo, de roldão, misteriosamente, sua casca já inútil e sua riqueza, agora inútil também.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 16h28 [   ] [ envie esta mensagem ]




Proposta de ano novo

 

 

 

 

Tenho andado farta de linhas curtas que se intrometem em meus pensamentos e se julgam  versos. Ando querendo escrever comprido, em estirões de idéias, que não se ponham a quebrar e virar a esquina da linha. É vício fazer frase curta, não forcejar para continuar a linha do raciocínio, descer ladeiras com ela, subir morros , escalar cordilheiras. Falo muito, mas falo breve.

Almejo agora alongamentos nas fantasias, estiramento dos músculos das palavras. Eu duelo com espadas curtas e não espero a resposta dos adversários. Já lhes acerto a veia jugular, ou quero sangrar logo e acabar com a dialética que me aflige.

O poema quer sintetizar logo o dilema da alma em questionamento e abreviar o suplício de ter que desdobrar, com calma, os pedacinhos de vida escondidos e latejantes para serem descobertos.

Quero esticar essa pouca extensão vergonhosa e desenhar escritura à maneira de desenrolar novelo de lã, empurrando-o entre os degraus do pensamento e correr atrás quando ele desenfreia ou estimulá-lo quando empaca nos orifícios.

Isso é proposta, isso é vontade. Mas, pode não dar em nada. Como tantas propostas de início de outros janeiros.

Não queria fazer versos, queria  fazer prosa, ou mesmo prosear com as pessoas. Queria um espaço-blogue de diário de mulher-adulta-adolescente-criança.Aliás, essa foi a proposta inicial dos webblogs. (Eram um “diário virtual”.) Que viraram outra coisa. Que se transformaram em local onde tudo pode ocorrer. E onde sempre poetei. E onde me fartei de disso.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h28 [   ] [ envie esta mensagem ]




Surpresa

 

 

 

 

materializaram-me em um dia

_ que acharam feliz_

só com choro esganiçado agradeci,

e por eles e por outros

ando ainda à cata da vantagem

_ que me deram de prêmio_

e do choro fiz música de festa

que ofereço por aí.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h27 [   ] [ envie esta mensagem ]




Fantasia

 

vedei as janelas do mundo

e exigi senhas

dos visitantes sem asas

que minha festa é seleta

para insólitos convidados,

filósofos no jardim

indagam os colibris,

colecionadores de letras

espiam nos corredores,

especialistas em arco-íris

se entretêm nos licores

enquanto a anfitriã

leva pela mão

poetas cegos que

teimam em dançar a valsa

do Conto dos Bosques de Viena.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 10h54 [   ] [ envie esta mensagem ]




Confissão

 

 

é minha essa alegria

que não anoitece nunca

açoitada que seja por

ventos rudes_

 

sem intenção nenhuma,

é minha essa benevolência

ante a áspera borrasca,

 

com naturalidade,

me pertence essa natureza

que não se ensopa

nas águas salobras_

 

feitio, feitiço,

benzimento ou herança,

sei que é minha

essa índole rebelde em

oferecer (de bom grado) a face

para o beijo da tormenta.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h49 [   ] [ envie esta mensagem ]




 Manet

 

 

Enigma

 

 

 

Você tenta

adivinhar em mim

o que não entende

você quer expansões

e elabora genealogias

arrisca bruxarias

para explicar

meu plácido sentimento

que deixou de querer excelências

e turbulências

e se me comporto com senso de atenção

não tem a ver com desamor

nem com frígida emoção,

meu sentimento

apenas se adequou

à mais humana ...e mínima proporção.

Não encaixe

o amor que é meu

na (sua) interpretação.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h29 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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