Querendo avivar esquecimentos

 

 

 

O termo Modernidade designa exatamente

a mesmíssima decadência que persiste na matéria humana

de tempos remotos

 

multidões famintas de pão-e-circo_

assistindo aos cristãos nas arenas de feras_

desfilam na mídia,  enquanto despedaçam corpos

 

meninos precocemente falsos

me deslembram a infância

e me relembram a serpente da espécie

 

o sangue já está seco, quando outro sangue derrama

e seu vermelho só enrubesce o chão

que se foi o tempo de iluminar consciências

 

cidade é modernismo, desde que o feudo enfraqueceu

e pontes e prédios unem dores entre água e terra e céu

dos marginais que se arrastam nas arenas de asfalto

 

o defeito congênito é incurável

os holocaustos ainda exalam as cinzas

do mal inextirpável _ plasma do mundo

 

vejo meu cão, ele atende

no contentamento da inocência

e, deixando o lobo de antes,

consegue me olhar sem malícia.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h03 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Turbilhonando

 

 

 

 

 

Enquanto o mundo agita e regurgita, eu não me enquadro em nenhum canto dele e procuro a mim, gritando, de lume aceso na escuridão adensada de vozes que meus ouvidos não decifram se são amigáveis ou se são os demônios que nos acompanham a cada um de nós. É desse turbilhão que fujo, mesmo sabendo que não há mais saída, porque eu quis que ele me envolvesse, vendi-lhe a alma por cobiça de apanhar o fruto da árvore da verdade, que não esteve nunca ao meu alcance. Hesitações são espaços que minha alma lacunar foi deixando atrás de si, que formaram poços tão profundos onde neles me refugio inerte. A tristeza escorre como lava vulcânica em meio às arestas do pensamento que vou tecendo no fuso de minha roca quebrada e sem conserto. Não desejo panacéias, nem mesmo ilusórias calmarias. Mas, houve a pausa...Quero gritar apenas a única verdade que vale a pena: a das mãos que se estendem para nos recolher o corpo desfalecido e a dos lábios que se aproximam para nos soprar na face o “élan” da vida, que, apesar de tudo, ainda em nós transpira.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 22h24 [   ] [ envie esta mensagem ]




Claude Monet

 

 

Remanso

 

 

 

a ânsia de serenidade me ultrapassa

que meu corpo escolhe posição de ouvir música

e meu pé não quer cobertura

as músicas me orquestram

e me assinalam curvas e retas

de algum trajeto

minha expiração é um sopro lento

num metabolismo de sono

ou de sonâmbula

nas cordas dos violinos

me reclino

e de mãos dadas

com estrelas

não ligo que a vida esmorece

no meu noturno de prece.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h47 [   ] [ envie esta mensagem ]




Não é tarde

 

minha boca canta

a saudade desmedida

de um corpo arquifeliz

hoje desfeito e estilhaçado

cada fração repartida

e largada onde lhe coube o chamado_

 

nas sobras persistentes

reinvento as minudências

dos brotos das raízes

e reverdeço_

hei de reflorescer.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h53 [   ] [ envie esta mensagem ]




Meus amigos

 

Por diversas vezes, interrompi minhas postagens e comentários, dentro desse universo blogueiro. E nem sempre por minha própria vontade. Como agora. Creiam-me.

Permaneci longe de vocês, involuntariamente, pois, e por motivos bem tristes e delicados.

Acho que nem preciso desculpar-me, apesar de dever isso a vocês.

E a  compreensão de todos me seria muito importante.

Volto, a conselho de muitos amigos que enxergam nessa minha atividade nos blogues quase uma terapia para minhas aflições.

Estar em contato com vocês é gratificante, na verdade. Porém, apenas nesse momento me sinto motivada a encontrá-los. Já escrevi, outrora, um texto que trata do tempo necessário que cada um possui para sair da dor, o tempo necessário para o sofrimento “queimar-se” e virar cinza, permitindo o renascimento da “fênix”.

Talvez esse “meu tempo” tenha chegado. Não sei.

Mas, estou com saudades. Desse mundo virtual, onde pareço reencontrar meus “pares”.

Agradeço a cada um, em especial e em particular, as mensagens de carinho e estímulo.

 

Abraços.

 

 

Recusa

 

 

a janela entreaberta

permite a luz azulada

que flutua sobre sua figura

e minha paixão submersa

respira de leve

na contemplação

do seu sono peregrino

meu único ciúme

                    essa cama morna

               minha cúmplice antiga

              que sustém nossos pesos

              não me permite

             acompanhá-lo

 

quando você tão manso

vai

e eu fico.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h07 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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