
Um recado para o Bosco: apesar de parecer plágio de “temática”, esse poema já existia antes do seu “Sem cerimônia”. Pensei em não postá-lo, mas, você vai me permitir, não vai?
Perseguição
meus versos são sombras
que me seguem passo a passo
me espreitam a face
me auscultam o sangue
me examinam a pele,
tropeço nos meus versos
que se interpõem nos ladrilhos
como brinquedos largados,
esbarro neles nos vãos dos guardados
sob a poeira que limpo,
misturam-se aos meus afazeres
sopram-me tolas cantigas,
jamais se aquietam
segurando-me pelos ombros
no primeiro canto de galo
que desperta minha manhã.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 13h22
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