Meu pessoal querido:

 

Vou deixar de postar minhas mensagens aqui no Pretensos Colóquios, por tempo indeterminado. Mas, como avisam os demais, “não vou fechar o blogue”...

Venho blogando por quatro anos e penso que agora chegou, para mim, um momento para reavaliar e refletir sobre minha atividade blogueira . Para isso, pretendo ficar algum tempo longe da minha página. Isso não quer dizer que ficarei ausente. Visitarei a todos, eventualmente.

Agradeço-lhes pelo carinho e pela atenção que me proporcionaram esses anos todos!

Deixo-lhes meu afetuoso abraço!

Dora Vilela

 Escrito por Dora Vilela �s 12h16 [   ] [ envie esta mensagem ]




Dúvidas

 

 

 

um poema forte

se escreve  com sangue?

um poema que abarque

os esgotos humanos

é mais verdadeiro?

um poema que verseje

desbocados bocados

da miséria humana

é mais universal?

um poema lírico

acerca da dor narcísica

é sentimentalóide?

irreverência é por si só

valor literário?

quantas linhas de definições

de poema são necessárias

para que um poema

seja considerado

um verdadeiro poema?

 

a Poesia anda tonta

e não responde nada...

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h12 [   ] [ envie esta mensagem ]




Marcelo bebê

De enganos

 

 

quando seu grito ecoou fora de mim

e meu prazer se expandiu

me tornei grande e forte

sem saber

do rio a se formar

das lágrimas

que eu iria desaguar

 

seu pequeno corpo

sereno entre brancas paredes

do quarto

fez-me promessa de paz

_que nunca se cumpriu_

na minha alma inquieta

agora, não grande, nem forte,

apenas uma alma exaurida

de chorar por seu corpo em conflito

e por seu grito inaudível

que hoje ecoa bem dentro de mim.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h46 [   ] [ envie esta mensagem ]




Página arrancada...

 

 

 

 

Todos os nossos momentos são de morte iminente. E o pensar aguçado sobre essa constatação não é tão doloroso como pode parecer à primeira vista. Porque viver é como estar em guerra contra um inimigo invencível que só espera o instante certo de atacar. Então, vamos traçando nossas estratégias, melhorando nossa logística, buscando as camuflagens mais precisas. Mas, há as tréguas. E nelas, nós acendemos nossos cigarros,  sopramos a fumaça para cima, e passamos aos planos de tempos de paz.

Nesses instantes, que são salpicados pela extensão do tempo, compomos a história que escrevemos, para cada um de nós. Há aqueles que conseguem abstrair completamente o perigo vindouro e constroem, de forma magnífica, uma trajetória lúcida, em que os ruídos da artilharia ficam olvidados. Nem o sangue dos companheiros mortos os desvia do caminho. São os fortes, ou os que desenvolvem múltiplas crenças e que não duvidam que as árvores mortas pela campanha vão reflorescer. Há os frágeis que se fatigam com a estreiteza do solo em que lhes é permitido erguer projetos. Olham a extensão das trincheiras e não ousam erguer a cabeça fora delas. Há os impassíveis que se endurecem com o inexorável que enfrentarão e ficam em guarda, numa atitude enganosa de vencer o medo pela insensibilidade.

Há os que volvem o olhar para os companheiros de luta e os sentem  tão próximos e iguais, que a presença deles lhes infunde a energia suficiente e incompreensível da união. Percebem-se como um todo maior pelo qual vale a pena estar ali, apenas pela enigmática sensação de que sofrer junto é sofrer menos.

E há os que fumam seu cigarro, compondo com os novelos da fumaça um campo de batalha onde os fuzis expelem flores, o som das explosões se transforma em orquestração do vento e das nuvens,  onde a chuva traz gotas de mel, o chão verdeja em mar e onde o sol envia convites de beijos, nos raios que lhes tocam as faces. Podem morrer a qualquer momento, mas, isso não terá mais importância, para eles...

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h48 [   ] [ envie esta mensagem ]




Resumo

 

 

 

primeiramente se encontra o que era

para se encontrar,

e se goza e se frui e se ilude...

na segunda etapa, vêm as perdas,

e ninguém a apelar,

 

retorna a aventura da busca,

aprontam-se o barco e as velas

 

e a última etapa é a mais dura

porque a areia do tempo

se escoa num aviso

de que nada perdura.

 

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h08 [   ] [ envie esta mensagem ]




Insensato

 

a noite desce nos telhados mornos

tentando me adormecer

forçar-me as pálpebras no sonho,

 

em mortalha pareço me deitar

e anônimas fotos me visitam,

meu pai doce e complacente

traz pérola e água límpida,

ouço a lição dos ancestrais

cada qual com sua doação,

 

meus mortos não me pesam

testemunho-me neles

salvo-me por eles,

só o que dói é aceitar

esse corpo insone

com vontade de viajar.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h29 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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