
Amizade
Eu aceitaria se o vento me fizesse convite de andar junto.
Virava nômade e ainda matava a curiosidade nascida comigo
de saber das frondes das altas árvores.
Iria passear a cavalo, rédeas soltas,
nas crinas da ventania arrojada
e descansar na brisa morna
do entardecer no mar.
Arrancaria chapéus
descobrindo cabeças e segredos.
Eu aceitaria, sim, os desvios do ar em movimento
( que assim eu iria chamar meu companheiro). 
Porque se ele parar, ele não é vento,
ele fica sem substância.
E eu poderia rir nos redemoinhos
que me deixariam tonta
e desmanchariam os castelos dos tolos.
Ficasse amiga do vento e não passaria mais
horas de tédio
nem criaria limo nos sonhos
que só dele dependem, para voar.
Dora Vilela
Escrito por Dora Vilela �s 10h56
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