Senso de bom-senso

 

 

 

 

abro e fecho asas

com vagar e decisão

esvoaçando no experimento

não quero queimá-las ao sol

que a coragem

é feito espetacular

e não vivo para exibir vida

mas, para senti-la.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 22h23 [   ] [ envie esta mensagem ]




Agitação

 

 

 

ando sabedora demais

de mistérios que não devia,

bulir com pedra limosa

desestabiliza,

ando curiosa em excesso

de quietudes já acalmadas

e nesse reboliço

que ando fazendo

turvei a água parada

que parecia tão límpida

dentro de mim!

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h53 [   ] [ envie esta mensagem ]




Luzeiros

 

 

 

 

o amor ainda acontece por aí

travestido de qualquer roupagem

meio bêbado, sem assunto, sem vergonha

no meio de muitos viventes que olham  raios de lua

através de copos de cerveja

e eu não me refiro a vagabundos da noite

mas a mentes que se dobram ao abandono do corpo

e se atiram sem medo na lambança que é viver

de gotas de minutos e de restos de festa.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h52 [   ] [ envie esta mensagem ]




Terapia

 

 

Era séria, um pouco altiva, prendada, habilidosa. Cheia de recalques pelas ilusões que não vieram para a realidade. Falava manso e em tom baixo, resquício da educação de berço. Não tolerava meus palavrões e meus acessos de tolices. Me cobrou tanto os modos pacienciosos e adequados. Me dobrou os arroubos e as imprecações. Mas, fazia carinhos e eu precisava da autoridade dela contra os monstros e fantasmas que cercavam minha cama. Minha imaginação agia demais e eu não sustentava depois o peso de minhas próprias criações.

Paradoxo, essa atitude maternal.

Ah! Minha querida, fiquei dupla assim, por sua causa? Quem sabe, você, tão minha amada, no seu excesso de zelo, não me roubou o melhor de mim?

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h01 [   ] [ envie esta mensagem ]




Foto-logia

 

em minha face

lancina minha caminhada

onde escancaro os sulcos

 com surdo rancor

 

 

a salina das lágrimas

completa minha sanha

e exibe o retrato da vida

passada e retalhada

que esqueceu o fio de sua navalha

nessa carne marcada.

 

Dora Vilela

 

       Os tomates eu queria enviar para esses blogs: Adelaide( Umbigo do Sonho), Crys ( Jardim de Letras), Claudinha( transmimentos), Loba( corpusetanima) e Saramar( abrindo janelas).    E  beijos para todas.

 



 Escrito por Dora Vilela �s 22h20 [   ] [ envie esta mensagem ]




Amizade

 

 

 

 

Eu aceitaria se o vento me fizesse convite de andar junto.

Virava nômade e ainda matava a curiosidade nascida comigo

de saber das frondes das altas árvores.

Iria passear a cavalo, rédeas soltas,

nas crinas da ventania arrojada

e descansar na brisa morna

do entardecer no mar.

Arrancaria chapéus

descobrindo cabeças e segredos.

Eu aceitaria, sim, os desvios do ar em movimento

( que assim eu iria chamar meu companheiro).                           

Porque se ele parar, ele não é vento,

ele fica sem substância.

E eu poderia rir nos redemoinhos

que me deixariam tonta

e desmanchariam os castelos dos tolos.

Ficasse amiga do vento e não passaria mais

horas de tédio

nem criaria limo nos sonhos

que só dele dependem, para voar.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h56 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Diminuto

 

 

 

 

andei léguas e periferia

 _intramuros_ de mim

palmilhei percursos vizinhos

paralelos e meridianos

vi ciclos lunares

 

e não vi novidade

que fosse alvissareira

e que não coubesse

num reflexo de céu azul

que seus olhos às vezes

me enviam...

 

 

 

 

 

 

Dora Vilela

 

 

 

 

 

 

 



 Escrito por Dora Vilela �s 08h30 [   ] [ envie esta mensagem ]




Esvaziando

 

 

 

o que não sei

me devora

numa ansiedade insana

de buscas e novas auroras,

 

o que desconheço me envenena

 me torna vulnerável

e  frágil no livro da vida,

 

mas, se agarro esse saber

ele se torna areia entre meus dedos

e escorre diante de meus olhos

que, sapientes agora,

 não sabem, entretanto,

torná-lo substância de vida.

 

que presença, qual presença

fará, enfim, eu me calar?

 

Dora Vilela

 

 



 Escrito por Dora Vilela �s 19h42 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

In-ativo

 

 

penso em você

como penso no fundo do mar,

é um pensamento de mil possibilidades

mas pode ser reduzido

a um só e imenso repouso

silencioso, abissal e infinito.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h36 [   ] [ envie esta mensagem ]




Delírio

 

 

a tapera fincava pé

na poeira do sertão

 

lá dentro se esquentava

a estreita panela repartida

entre bocas medidas

que de hoje sabiam o gosto

que amanhã não haveria

 

a mãe do milagre

multiplicava o pão

para as crias que parira

sua boca não contava

nem o oco que se fazia

do estômago ao coração

 

a tontura do jejum servia prá sonhar

 

ela via os filhos

como ninhada de anjos

que anjos não comem

e com suas asas

voavam para o alto

de um em um...

 

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h57 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Testando meu blog Azul!!!!!!

 

 

Chegada

 

pressinto que vem meu amado

o ar se tornou rarefeito

prá minha respiração

não quero ser feia

com essa face histriônica

me repouso

recomponho a fisionomia

das noites insones

mas não bebo

nem me alimento

fome e sede eu quero ter.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h31 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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