Para o Jota, meu amigo, que gosta de trem!!!

 

 

 

Memorialístico

 

revi outro dia

o trem de ferro

máquina pesada, imponente,

obediente,

olhos voltados para os trilhos,

não desvia

das rotas que a prendem

como um potente animal

bravio, domesticado,

dócil, escravo na canga,

inconsciente de sua força,

 

por isso corta o ar

e corta o coração da gente

o lamento

do som dolente

que vem

no apito do trem...

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 16h18 [   ] [ envie esta mensagem ]




Queridos amigos

 

Queria me desculpar pela ausência dos blogues, um tanto prolongada...pelos meus padrões...rs

 A vida, como sempre, prepara seus desafios para nós. E, mais uma vez, estive enredada em problemas que me afastaram de vocês.

Mas, volto, ainda meio trôpega, mas, saudosa e inteira.

Agradeço a todos pelos comentários e pela atenção preocupada.

E abraço calorosamente um a um de vocês.

 

Meta-morfose

 

 

 

 

ainda não sou tudo o que sou

em potencial

ainda não sou o meu sonho

integral

ainda não sou meu percurso

total

ainda não sou meu desejo

final

mas ainda assim sou o que sou

na mesmice que vou desmudando.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h22 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Palavras cruzadas

 

as palavras querem me interpretar

me rasgam cinicamente

se imiscuem no meu ser

remexem nos meus desvãos

não me livro delas

porque entre elas e eu

há uma verdade incrustada

que elas não sabem

nem eu.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h22 [   ] [ envie esta mensagem ]




Pedacinho de amor

 

o mundo é pleno de estranhezas

que eu teimo de aproveitar

e me deleito em pouco

feito seu gesto imponderável

de apoiar a mão em meu ombro

e só disso eu imaginar

um lembrete de afeto

impresso no ar.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h49 [   ] [ envie esta mensagem ]




Pausa

 

anoitece

e as coisas desaparecem

na sua dimensão,

adivinho-as na memória

do dia que foi,

na árvore folhosa

que imagino da minha janela,

no odor do jasmim

e da dama-da-noite,

no som longínquo

da criança que chora,

no soluço surdo

das bocas desejosas,

no ladrar dos cães vadios,

na conversa dos sapos,

e minha alma se expande, luminosa,

desviando louvores

para a intermitência das coisas

vivas e  vividas,

agora obscurecidas.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h35 [   ] [ envie esta mensagem ]




Um achado especial

 

 

 

Na imensa profusão editorial, surgiu Laïs de Castro, com o livro “Um velho Almirante e outros contos”, para capturar nossa atenção dispersa.

 Distribuídos nas 142 páginas, os títulos dos 24 contos se põem a aguçar a curiosidade do leitor, logo no início.

A autora conta histórias, sim, apresenta variedade de personagens, enreda tramas, engendra ações, mas não se preocupa com um fio condutor de temas.

Entretanto, um arguto observador da conduta humana cairá na conta da linha interior que orienta a ficção de Laïs. Ela fala da intensidade da existência, desenrolada de forma crua, sem concessões a paliativos e bengalas;  exibe as faces da vida, em diferentes situações, colocando os personagens defronte às escolhas e suas conseqüências.

Os momentos de profunda alegria se intercalam aos de dores pungentes, porém, ela não pretende explicá-los ou dar-lhes soluções. Expõe a tragédia humana e extrai dela instantes  de êxtases raros que denunciam a validade da vida, a qualquer preço.

Há contos vazados de pura poesia como “Veludo e mescalina” ou “Sorvendo os ânimos”, em que se entrevêem, quase num esbanjamento, o talento e a maestria da autora em linhas que viram versos.

São vidas miúdas, anônimas, sem grandes arrojos que desfilam pelos contos, e justamente por meio delas é que Laïs compõe um universo pujante, verdadeiro, dramático e real.

Abusa das reminiscências, que dão um tom melancólico, às vezes, para se atirar, em seguida, a ironias e veladas críticas ao progresso que desfigura e massifica as pessoas.

Um sensualismo com delicadeza se insinua nas efusões de sentidos. Um sarcasmo que interroga o leitor também se faz de maneira espirituosa e leve. O estilo de Laïs é energicamente doce e lúdico. E surpreendente.

Personagens idosos, crianças, jovens e até deficientes, como a moça portadora da síndrome de Down, (“Sagrado profano”),  ensaiam suas histórias pelos contos e deixam a marca do tema subliminar: a vida é “como ela é”, simplesmente, e estamos inseridos nela como seres no tempo, com limitações, misérias, desejos, ao lado de grandezas, iluminações e instantes compensadores de qualquer sofrimento.

Enfim, esse livro de Laïs de Castro, que vem, sem estardalhaço, se unir aos nossos livros na estante, realiza, prazerosamente, uma leitura nossa de nós mesmos.

 

Laïs de Castro é jornalista. Ganhou três vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Este livro é sua estréia na ficção. Ele é prefaciado pelo escritor Ignácio Loyola  Brandão.

Vale a pena conferir!!!!!!!!!!!

 

Gente!! Eu tenho a incumbência de escolher 7 blogs, já que me indicaram para aquele prêmio das 7 Maravilhas! rs

Lá vai...Escolho os blogs: do Diovvani, do Pedro Pan, da Taís Morais, da Lela, do Bosco, da Márcia Clarinha e da Nora.

Beijos.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h03 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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