Para quem acredita em ALMA

 

 

Marketing

 

 

 

A alma guarda a umidade do corpo, que se resseca nas esquinas, nas quinas, no alvoroço.

A alma protege os desgastes das chuvas escorridas nos interstícios

da lembrança intocada.

 

A alma lavada referenda seu uso contínuo na proteção do corpo usado nos atritos da realidade.

A alma, que não tem definição, pode ser líquida em qualquer estação. É nutritiva e devolve a maciez.

 

A terra constante invoca o corpo de barro, no desejo de triturá-lo no seu pó anterior.

A terra saudosa anela pelo retorno do que lhe pertenceu.

Usar a alma. Contém colágeno e anti-oxidante.

 

A alma é o cosmético natural da nossa forma orgânica a que chamamos EU.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h58 [   ] [ envie esta mensagem ]




Uma singeleza para vocês...

 

 

Exaustão

 

 

 

descansar a voz de querências

e o pensamento

em berço contente

que outras mãos balançam

 

não ouvir os ruídos

que trazem urgências

espelhos das contingências

 

repousar na rede da brisa

de fôlego compassado

os braços vazios 

o coração apaziguado.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h39 [   ] [ envie esta mensagem ]




Sublime

 

na fecundação há silêncio

e o olhar não vê

o insipiente

que salta do nada

 

no instante da criação

o ato é secreto

como nas seitas esotéricas

 

só se sabe o nascimento

depois do tempo discreto

corrido sobre o segredo

 

como um poema

inexistente e silencioso

que, ora é um papel em branco,

ora é um mundo inteirinho

dentro do mesmo papel.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h15 [   ] [ envie esta mensagem ]




Súplica

 

cuida de mim

que tanto fardo carrego

de tomar conta do mundo

e não ter a quem prestar contas

 

cuida de mim

que protejo cada árvore

multiplicada em folhas

que me fatigo

em desvendar cada

olhar desvalido

 

me dá colo

que me estafo

em arrancar ervas daninhas

das estradas alheias

que me esfolo as mãos

lavando as manhãs de

meus filhos

 

canta-me canção de paz

que me mato nas

guerras dos cotidianos

e nas pelejas dos sonhos.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 14h00 [   ] [ envie esta mensagem ]




Fragmentado

 

Coloco inícios nos meus finais. Até quando der. Mudo os cabelos de jeito. Procuro amigos novos e livres. Faço dietas com saladas exóticas. Aceito o estilete na carne. Tento não chorar com o desajuste do meu filho. Crio neologismos. Olho sem medo a mulher gestante. Brinco de criar ilusão. Piso a terra descalça. Adoto todos os órfãos de todas as cidades. Espalho tinta a óleo nas abstrações de minhas telas. Enfeito minha cama de pétalas. Intento não quebrar espelhos. Beijo meu homem sem pressa. Faço amor no chão da sala de TV. Rego as plantas minuciosamente. Assobio para meu cão. Acarinho-o de manso. Escrevo e-mails para meus ex-alunos. Até para Paris. Respondo a todos. Saúdo meus mortos. Abraço com mil braços os frutos que gerei.

Medito pela milésima vez sobre o cromossomo que tornou meu filho “especial”. Passo creme pelo corpo todo. Para hidratar e despertar.

E faço sempre alguns versos antes de dormir.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 10h12 [   ] [ envie esta mensagem ]




Proposital

 

portais se abrem

providenciando sons

que me endoidecem,

 

capas de compêndios

escancaram as carências

que sei em mim,

 

a brisa inocente

sopra ensinamentos,

 

o mundo rodopia

em ciências,

 

algodôo os ouvidos

que se negam às circes

desse mar enganoso

 

quero-me a mim

natural,

insipiente,

sempre recém-nascida.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h59 [   ] [ envie esta mensagem ]




Modelo em negativo

 

não espalhar jatos de sangue

na poesia

_esperar os coágulos

secos_

 

não derramar mel nos versos

_temperá-los com limão_

 

não se estampar em narcísica exposição

_filtrar o suportável_

 

não enfeitar os efeitos

_falar das coisas que são_

 

não seguir caminho aberto

_tentar um rumo novo_

 

não ser auto-ajuda

_ser antes uma anarquia subversiva_

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h44 [   ] [ envie esta mensagem ]




Registro

 

o dia está tão cheio de mundo

que meu verso encabula

 

não sou diurna, decididamente

 

os olhos observam passos,

ruas, praças

as mãos roçam texturas,

quenturas, arestas

os pés pisam diversidades

sem tocar o chão

 

o dia está realista demais

meu verso não se estimula

 

os ouvidos sofrem

sons de artifício

o corpo se atrita

em excesso de artefatos

 

meu verso não se concentra

é noturno mesmo,

como eu.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 21h21 [   ] [ envie esta mensagem ]




Aéreo

 

 

teus dedos prenderam a noite

e me presenteaste de estrelas

e cometas

 

na via láctea solitária

fizeste meu leito

cosmonauta entre nuvens

 

subi de asas emprestadas

 

nada me serviu de coberta

 

a não ser a chuva

de tuas

águas de prata.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h36 [   ] [ envie esta mensagem ]




Exegese

 

O que não existe significa a entrelinha.

E um mundo cabe aí, de mistério e crença.

O que não cabe na palavra é cabível no segredo particular.

Ninguém sabe a face interna do meu rosto que sorri,

nem mesmo eu.

Simbolizamos a vida na ação aleatória do tempo a se esvair.

Meu testemunho comunica apenas que existo na pulsão dos momentos.

Não há significado para este signo que se desenha na palavra VIDA.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 08h38 [   ] [ envie esta mensagem ]




Existir

 

 

no cais

a pedra medida

do relativo

 

chegança e partida

 

 lenço de adeus

 amplexo de acolhida

 

vida em síntese

vela solta ao vento

 

o mar engole a nau que se vai

a terra abraça o viajante

 

idas e vindas

me vou

não sei se venho

 

caminhos abertos na água

viajamos todos

nós e eles

e cada um

quem sabe escolhe

seu cais

prá aportar.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h48 [   ] [ envie esta mensagem ]




Minha gente querida:

Andei longe de minha terra. Estive na FLIP de Paraty(ou Parati) e, depois do banho de cultura dessa semana m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a, ainda não coloquei a mente em ordem. Estou no turbilhão das palestras dos escritores, das tendas dos autores, das ruas fervilhantes de Paraty, do mundo da literatura e das artes.

Conheci o Zeca, nosso amigo blogueiro. E a FILP passou a ser mais que cultura: virou sonho! Para aumentar a emoção, encontrei-me com outra blogueira: Márcia Maia, de Recife, que estava lá para receber a premiação pelo poema que ela enviou para o evento da Off-FlIP. Márcia levou o segundo lugar entre mais de (se não me engano...) quatrocentos concorrentes. O poema vencedor já está no blog dela. Confiram lá:

www.tabuademares.blogger.com.br

Não terei tempo agora de discorrer sobre a FLIP, nem sobre essas pessoas queridas. Mas, eu sugiro que vocês leiam o blog do Zeca, que mora em Paraty, e escreve no www.janelasdozeca.zip.net

Volto logo, para conversar.

Beijos de saudade.

Dora



 Escrito por Dora Vilela �s 08h25 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
Outros Textos:
  01/08/2009 a 31/08/2009
  01/07/2009 a 31/07/2009
  01/05/2009 a 31/05/2009
  01/04/2009 a 30/04/2009
  01/03/2009 a 31/03/2009
  01/02/2009 a 28/02/2009
  01/01/2009 a 31/01/2009
  01/11/2008 a 30/11/2008
  01/10/2008 a 31/10/2008
  01/09/2008 a 30/09/2008
  01/08/2008 a 31/08/2008
  01/07/2008 a 31/07/2008
  01/06/2008 a 30/06/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/03/2008 a 31/03/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/08/2007 a 31/08/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/07/2005 a 31/07/2005
  01/06/2005 a 30/06/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/04/2005 a 30/04/2005
  01/03/2005 a 31/03/2005
  01/02/2005 a 28/02/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005


Links:
  uol
  Adélia
  Ádina
  Ana Lúcia
  Ana poeta
  Aninha
  Beti
  Clarice
  Claudinha
  Cris
  Crys
  Dauri
  Diovvani
  Elza
  Ery
  Fabrício Carpinejar
  Francisco Dantas
  Francisco Sobreira
  Grace
  Jacinta
  Jens
  Jota
  
  Lino
  Lívia
  Luma
  Manoel
  Márcia Clarinha
  Maria Augusta
  Marco
  Miguel
  Mônica M.
  Nora
  Pedro Pan
  Renato
  Saramar
  Tânia
  Yvonne
  Wilson
  Zeca
  Shi
  Boca
  Bisbilhoteira
  DO
  Soninha
  Fernanda
  Cecília
  Bia
  Adelaide
  Eurico
  Bosco
  Mai
  Élcio
  Joice
  Dácio(novo)
  Ilaine
  Edilson
  Euza
  Sandra
  tb
  Moacy
  Simone
  Amarísio


VOTA��O
 D� uma nota para meu blog!







O que � isto?