Batismo

 

 

consagro-me ao ministério,

me dedico ao sacrifício,

me entrego ao ofício

de escavar as minas,

de sangrar as mãos,

de peneirar os detritos,

de estreitar os olhos,

na chama ofuscante,

na caça ao tesouro,

no fundo dos rios,

na tosca bateia,

na oculta prisão,

dos veios da terra

 

meu minério de ouro

talvez venha a lume,

impuro,encoberto

 

e minha palavra ágil,

como mãe que descobre o fruto,

após parto doloroso,

fará sua lapidação,

e a esse minério-filho

dará nome, sustento e tino,

no ritual da filiação.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h29 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para A Cris, uma  "rapadura fashion"...

 

Quase biografia

Nua, em pé dentro da banheira branca, eu borrifava água na boca aberta dos peixinhos. Queria dar de beber a cada um deles, desenhados em tons vivos, bem rechonchudos, na cortina de plástico que cercava a banheira.
Molhava toda a beirada, sem nada perceber, distraída em contar e recontar se não faltava nenhum peixinho para beber. Não me cansava nem me entediava nunca olhando os bichinhos com as boquinhas redondas, bem abertas, como a implorar pelas gotas d'água.
De repente, num sobressalto, ouvia mamãe a bater na porta, perguntando se eu morrera lá dentro. Sempre achava graça naquela espécie de pergunta retórica. Como eu poderia ter morrido? Ou será que poderia?
Olhando meus pés arroxeados pelo tempo em que eu estivera dentro d'água, imaginava como seria se eu tivesse morrido lá na banheira.
Mamãe não se dava conta do que falara. Era uma forma corriqueira aquela de perguntar se alguém morrera, uma entre tantas manias que se adquirem nas conversas comuns do cotidiano. Mas, as pessoas deveriam examinar o que falavam. Diria isto a mamãe e ela se mostraria surpresa com mais uma das minhas invencionices.
Eu saía do banheiro, enrolada na toalha e corria para o meu quarto, onde mergulhava na cama, antes de colocar roupa.
De barriga para cima, olhando o forro de madeira, encaixada em trilhos que me lembravam vários caminhos de trem, lá voltava eu a cismar.
Pensava nos trens que poderiam passar por cima de minha cabeça, indo e voltando pelo quarto inteiro.
Mamãe chegava a perder a paciência e se irritava com meus devaneios.
Às vezes, ouvia-a resmungar se eu não seria desmiolada ou tonta, com aquela inconseqüência de me esquecer das horas.
No entanto, ela mesma sabia que eu não era irresponsável nos deveres, em casa ou na escola. Ao contrário, superava todas as expectativas dela em qualquer atribuição, sobretudo  de caráter intelectual.
Porém, não conseguia nunca me livrar daquelas  manias de perder a noção do tempo, quando me punha a fantasiar.
Se eu ia comprar pequenas encomendas dela na padaria próxima, era comum eu perder o dinheiro na rua ou me esquecer do troco no balcão da loja.
Sempre fora motivo de risos por parte dos adultos da família que conheciam minha fama de distraída e dispersa.
Cresci assim e acho que piorei.
Desenvolvi a tendência de valorizar a introspecção e a forma de aperfeiçoar minuciosamente e personalizar cada coisa:  burilar manualmente, tornar a coisa tão íntima, entronizá-la na memória, na pele, no ser.
Toda atividade massificante, sem rosto, sem toque pessoal me passou a ser odiosa, frustrante e cansativa.
Com o crescente progresso industrial, marca da minha era, com a famigerada tecnologia, mantive sempre uma relação de fuga e pânico.
Somente a duras penas, fui aceitando a realidade que me foi chegando, a mim me parecendo um mundo árido, impesssoal, que quase me aniquilou e me transformou num ente solitário entre as gentes.
Não fui vencida pela máquina, porque sempre brota uma flor no asfalto.Mas jamais consegui uma convivência pacífica com tal realidade.
Minha luta foi sempre desigual, ridícula. Paguei alto o meu tributo de viver no tempo que me foi designado.
Enfim, vivi comigo mesma e com o mundo, em dicotomias profundas, que acabaram por me conformar o temperamento e o modo de ser.
 
Dora Vilela


 Escrito por Dora Vilela �s 19h10 [   ] [ envie esta mensagem ]




Ciclos

 

 

qual desejo, qual anseio buscas?

identifica-o, para enumerá-lo

será apenas o começo de outros que virão,

aparentemente desiguais,

ilusoriamente eficazes,

falsamente brilhantes.

o desejo humano é sempre o mesmo,

e o teu vazio não se preencherá,

ainda que o alcances

mas, há que se ter desejos

e correr ao seu encalço,

prá se cumprir a vida

e nela permanecer,

sorrindo ou chorando,

e ainda ansiando

prá se ter sempre desejos

de se desejar.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 22h19 [   ] [ envie esta mensagem ]




Afins

 

a noite me enreda

como a música

meu estado de êxtase

 

me dispo as pulseiras

anéis e colares

que me enfeitaram no sol

 

a noite me envia

as respostas das cartas

trabalhadas de dia

 

a noite me é aparentada

em afinidades

de silêncio e morte

 

a noite sou eu

no encontro de minha escuridão.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h13 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Universal

 

 

 

não te importa a minha dor,

nem quantos cigarros eu fumo,

não te interessa a minha alma,

nem mesmo meu sábio conselho

 

mas te cativa o nosso comum

tropeço, enrosco, embaraço

nas trilhas em que inevitáveis pisamos

 

o que olhamos tem formato distinto,

tem causa e razão diferentes,

porém forçoso é que olhemos

 

se eu cantar o que tens em germe,

em alerta te postarás,

em uníssono me acompanharás,

inconsciente talvez do meu canto

 

ponho em tanto meu intento

de alvoroçar o silêncio

do que guardamos calado,

e igualado por nossa mesma condição

 

só assim me ouves,

tu, que és o outro,

que és no fundo eu mesma,

nesta precária desigualdade.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h31 [   ] [ envie esta mensagem ]




Massificação

Meu mundo é uma imensa tribo, cercada de outdoors de mulheres nuas, mostrando os dentes e os signos por trás dos dentes.

Povoou-se meu mundo de deuses mais cruéis que os do Olimpo, exigentes de holocaustos, sacrifícios, imolações e dietas.

Fecha-se o cerco do homem nas mãos de ferro da mídia, na propaganda demente, assassina dos seres em grão.

Estendem-se os cultos e as velas, por mil favores de Zeus, em busca da forma perfeita

de formar a carne vazia.

É preciso urgente possuir o que se esvai nas coisas, no corpo, na mente.

Caminhando nas próprias cinzas, a multidão se compacta, unida no mesmo bordão do pacto implícito e pio.

Prostra-se ante o barro de onde se originou, nele se enlameia e se ergue, se crendo sã e ungida.

O homem se multiplicou, em tantos se tornou, que, pela lei do mercado, se desvalorizou.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 17h24 [   ] [ envie esta mensagem ]




Pessoal. Voltei de viagem, hoje, e estou em falta com vocês. Mas, estarei por aí, visitando cada um, de agora em diante.E conversando nos comentários.

Beijos saudosos.

 

Noblesse Oblige

 

entreabrindo os olhos,

manhã cansada,

claridade insistente,

incidindo e cortando,

a nesga na parede

aceitando a manhã,

meus olhos negando,

meu corpo total é noite

 

um longo fio à frente,

um novelo a desenrolar,

inércia e marasmo,

 

cada coisa no seu lugar

me recorda cada coisa,

meus cabelos encanecem,

as coisas acontecem,

o espelho devolve tudo,

os vapores do sono

passeiam pela manhã,

 

mais claridade,

e clarividência...

as coisas desafiantes,

a urgência do sol,

a impaciência da luz,

meus olhos se abrem,

prá minha rendição.

Dora



 Escrito por Dora Vilela �s 20h38 [   ] [ envie esta mensagem ]




Inconsistência

 

se me canso,
no teu regaço doce e manso
descanso, e me refaço


em ti, meu ser evaporado
se condensa e se forma


na tua humanidade
há certeza e arrimo


és meu porto de partida

e meu cais da volta


quando me evolo,

as paredes caindo,

o horizonte me fugindo,
a mão segurando a nuvem,
teu ser-rocha, existindo sempre,
me assegura a aspereza
e a densidade que me falta.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 12h51 [   ] [ envie esta mensagem ]




Poente

 

 

 

 

tão pouco debaixo do sol,

meus mortos me espiando,

um céu num amplo convite,

e a fadiga, o absurdo e o tédio

 

tudo se transformando

na mistificação do novo,

nenhuma porta se abrindo,

nada se esperançando

 

a lenta estrada se estreita,

os pés nos cascalhos tropeçam

e oscilam os olhos em busca de atalhos

 

o gosto se dispersa

no que antes era regalo

o verão se torna frio

nas noites que se prolongam

 

o que era pequenino

se dilata em desmesura

tanto acúmulo de passado

 cabendo num só instante

a claridade se consome

e se torna ponto informe

 

as mãos, por instinto, se agarram

em nesgas de possibilidades

o ser é o mesmo ser,

mas a dor já é bem outra

 

tudo tem cheiro de adeus

e a cor difusa do ocaso.  

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 13h09 [   ] [ envie esta mensagem ]




Re-criação

 

o instante me toca de leve

as pálpebras

com seu inexorável

 

o dia é meu inteiro

retalhado em momentos

 

maduros meus olhos

incansáveis meus passos

 

as coisas antiqüíssimas

se entrechocam

 

pinço-as na ponta da

minha palavra

 

remoço-me nelas

e com elas

 

o dia que colho

recebe sempre meu

renovado espanto.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h38 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

Perdida

 

 

 

ofereço libações

aos deuses da civilização

que me trouxeram

tantas máscaras à face

 

aceito os beijos do mundo

os afagos cariciosos

componentes de minha história corporal

(e incorpórea)

 

acolho os impropérios

como o joio que me cabe

 

me conjugo no plural

vivo em coletivo

e só me resta agradecer

 

se, na solidão,

me descasco as camadas,

o que sobra é somente

o obscuro,

o impossível,

 

o nada.

 

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 18h06 [   ] [ envie esta mensagem ]




Mudando de tema...

 

 

Fugaz

 

 

meu nome é lamento

meu canto, de ninfa

que brinca nos bosques

 

já fui musa e sereia

nos sonhos de outro

nos idos da vida

 

porém Eros

entediado

desfez a aliança

_sem nenhum cuidado_

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h20 [   ] [ envie esta mensagem ]




Herdeira

 

mil raízes se afundam em mim

de divindades e sagrados

de augúrios e prenúncios

 

trançam-se no meu tecido

gritos de gerações

rancores, choros, amores

 

meu gesto desatento

abre falhas e fendas

 

é quando meu sorriso fenece

em meio à alegria

 

é quando meu ato de ser feliz

fica suspenso

nos obstáculos.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h50 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

 

Unindo as pontas

 

 

chego de súbito na ventania

recolhendo as estações e os frutos verdolengos

 

rastejo por gosto

 

rasgo a pele

 

mas persigo um cheiro

além do natural

 

agarro o responsável

pela minha sina

que não é sina

é só o vento que sopra

para onde bem quer

e a gente inventa

consciência e razão.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h52 [   ] [ envie esta mensagem ]




Instantes

 

Amorteço meus dizeres com sedativos. Não despejo palavras desesperadas. Aplico-lhes anestésicos.

Compreendo a dor com uma grande intimidade. Mantenho diante dela o pudor das donzelas na crueza do meu ser nu.

Ser castigada de vida é uma forma de viver. E, no entanto, a mais pura alegria já atingi. E ela foi de tal forma exorbitante, que chegou ao seu oposto. Como na festa dos corpos exultantes, onde se degustam os líquidos dos vinhos que, na manhã, deixam o ressaibo amargo na boca e na alma.

Minha alegria é assim, sempre, a intermitência da dor.

Dora vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h51 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para bom entendedor

 

 

com as mãos limpas

arrancava a raiz

da vida

 

tanto ruído de passos

nas pedras soltas

sujou-me a visão

e o senso do ouvido

agudo

como o de um cão

 

hoje

o mundo que vejo e ouço

é meu plágio

meu avesso

minha condenação.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 11h55 [   ] [ envie esta mensagem ]




Os sons do silêncio

 

Abandono geral. No íntimo do casarão, com janelas olheiras, fantasmas se cruzam. Ela pisa o assoalho de tábuas, em parecença de andar normal.

Mas era tudo antanho e o ar carregado de vazio. Mobiliário pesado marcando os mesmíssimos cantos e recantos. A habitação fechada. A corretora abrira a seu pedido.  Não era negociável a casa. Dificultosa restauração semelhava ser necessária. E as superstições e lendas. Ninguém de interesse no velho casarão. Só ela. E tinha ido buscar o que não sabia nem mesmo. Um arremate. Talvez.

Penetrou o silêncio. Vislumbrou o piano. Móvel elegante, debaixo da poeira, ainda empertigado. O sentido foi clareando. Levantou, trêmulas as mãos, a tampa do teclado. Amarelas teclas, entre as negras. Devagar elas moveram-se em sustenidos e bemóis. As notas ergueram-se no ambiente denso. Lentas, lentíssimas, a principiar.

Em arrepios, ela inclinou a cabeça. Vinha do teto a melodia. Era a sua canção, a tocata que os dedos dele criaram e repetiam ao infinito. Naqueles dias. Naqueles passados.

Uma luz de farol lhe faiscou nos olhos. Um estrondo interrompeu a música. O corpo dele, caído, ao lado do carro. Os dedos mortos. Levaram a canção.

Na casa enorme, ela agora ressuscita. O piano toca com a lembrança daquelas mãos que tanto lhe acariciaram as teclas. Da capo. As notas ressoam. Nítidas. Montadas na saudade. Das mãos dele. Principalmente. Mãos de dedos longos responsáveis pelo seu presente musical nos dias do amor em festa.

Lavada em lágrimas, ensaia passos aéreos de dança. E no silêncio, acompanha-se do ritmo dos sons. Suavemente.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h13 [   ] [ envie esta mensagem ]




Para minha amiga, Ana Lúcia.

Moldagem

 

não tenho o rosto alegre

que me inventam

nem procuro prazer forçado

_ele vem quando bem quer_

 

combato o bom combate

de afogar

a excessiva lucidez

tentando

o convívio dos dias

humanamente possíveis.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 18h17 [   ] [ envie esta mensagem ]




Grafando

 

Há muitas motivações para o ato de escrever. Nunca descobri a minha. E leio, sempre admirada, o rastro das palavras que deixo livres de mim, como garatujas irreconhecíveis. Ou hieróglifos. Não tenho a mais leve idéia do porquê delas, enfileiradas nas linhas. Ouso, então, tentativas de compreensão.

Apenas me lanço na travessia do mar furioso da existência e talvez pense acalmá-lo com minha escrita. Suponho-me domadora da vida, com o chicote das palavras. É só suposição. Mas é bem sentida como verdade.

Meus vocábulos, concretizando fantasias, são canções de ninar para adormecer o cansaço do mundo.

Não pretendo produzir ilusões, mas reduzir a pena de morte que pende sobre nós, com histórias das mil e uma noites.

Meu assombro com a crueza da vida se ameniza na visão das aquarelas das nuvens ou nos torneios dos ventos.

É pela minha experiência com a possibilidade da alegria que as palavras me escapam.

Uma árvore, de braços abertos, sentindo as cócegas dos pássaros em seus galhos, faz uma razão de escrever.

Uma criança dormindo, de lábios entreabertos de inocência, me doa palavras e palavras.

A manhã branca de neblina, em que pessoas e coisas se tornam fantasmas ambulantes, me desfolha a ternura pelo fenômeno simples do ar empalidecer. Palavras dão forma à vontade de louvar o acontecimento gratuito da natureza.

Entretanto, há a falta. Ela também me põe frases insanas na boca.

Nas dores, minhas palavras se afundam, porém, mesmo assim, fogem de mim, graves e tontas, e se insinuam aos olhares alheios.

Enfim, não sei se fazem sentido minhas razões de escrever.

 

Dora Vilela

 



 Escrito por Dora Vilela �s 09h55 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
Outros Textos:
  01/08/2009 a 31/08/2009
  01/07/2009 a 31/07/2009
  01/05/2009 a 31/05/2009
  01/04/2009 a 30/04/2009
  01/03/2009 a 31/03/2009
  01/02/2009 a 28/02/2009
  01/01/2009 a 31/01/2009
  01/11/2008 a 30/11/2008
  01/10/2008 a 31/10/2008
  01/09/2008 a 30/09/2008
  01/08/2008 a 31/08/2008
  01/07/2008 a 31/07/2008
  01/06/2008 a 30/06/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/03/2008 a 31/03/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/08/2007 a 31/08/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/07/2005 a 31/07/2005
  01/06/2005 a 30/06/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/04/2005 a 30/04/2005
  01/03/2005 a 31/03/2005
  01/02/2005 a 28/02/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005


Links:
  uol
  Adélia
  Ádina
  Ana Lúcia
  Ana poeta
  Aninha
  Beti
  Clarice
  Claudinha
  Cris
  Crys
  Dauri
  Diovvani
  Elza
  Ery
  Fabrício Carpinejar
  Francisco Dantas
  Francisco Sobreira
  Grace
  Jacinta
  Jens
  Jota
  
  Lino
  Lívia
  Luma
  Manoel
  Márcia Clarinha
  Maria Augusta
  Marco
  Miguel
  Mônica M.
  Nora
  Pedro Pan
  Renato
  Saramar
  Tânia
  Yvonne
  Wilson
  Zeca
  Shi
  Boca
  Bisbilhoteira
  DO
  Soninha
  Fernanda
  Cecília
  Bia
  Adelaide
  Eurico
  Bosco
  Mai
  Élcio
  Joice
  Dácio(novo)
  Ilaine
  Edilson
  Euza
  Sandra
  tb
  Moacy
  Simone
  Amarísio


VOTA��O
 D� uma nota para meu blog!







O que � isto?