Poetizar

 

 

Viver na rebeldia do prosaico,

desmantelar e reconstruir,

lançar hipóteses sem comprovação,

criar mitos e lendas,

zombar do perigo, a salvo, na borda do precipício.

Abrir sulcos na própria estrada,

na carícia do vento,

que desmancha e enovela.

Viajar a esmo e fingir a certeza do itinerário,

ver o inacreditável dos fenômenos,

tontear no percurso das nuvens,

e se ocultar em signos aleatórios.

Desejar não-ser e permanecer sendo...

No silêncio das entrelinhas.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 10h03 [   ] [ envie esta mensagem ]




Confessionário

 

 

 

Gosto de brincar com quebra-cabeça. Ou puzzles .Daqueles bem enormes! Com peças minúsculas que se assemelham umas às outras e que fazem nossa “cabeça querer quebrar”...Quando se olha para aquela profusão de fragmentos coloridos, a impressão é  que estamos à beira de um caos. E, pacientemente, vamos unindo os pedaços que, acertados, voltam a ser a paisagem inteira e bonita, que eram antes.

E cada vez que coloco a cabeça “a quebrar” sobre os puzzles, me vem à mente a figura da existência, que é decomposta e fragmentada, sempre à espera da nossa paciente adequação. No desfiar dos cotidianos, vamos remontando nossa paisagem única e particular.

Frequentemente, surgem peças que não se encaixam, à primeira vista. Aliás, a sensação é que elas não pertencem àquele puzzle. São completamente diferentes do colorido que vai se delineando, são esquisitas, estranhas, no formato, no tom bizarro. Mas, de repente, quando, finalmente se encaixam, percebemos que elas são exatamente os fragmentos que faltavam. E só elas, não outras, poderiam ser ali unidas, quase coladas.

É uma brincadeira e é uma simbologia. Porque, há dias em que meus fragmentos de vida, que deveriam estar em minha posse para serem colocados no meu quebra-cabeça existencial, simplesmente desaparecem. Ou se descolorem. Zombam de mim. E outros aparecem. E se encaixam em meu desenho, mesmo deixando-o feio, sem cor e sem brilho, mas ainda assim, meu próprio desenho...

Ando assim, nesses dias. Sem fragmentos que me embelezem a paisagem.

Minha brincadeira de puzzle ficou séria e sem graça.

E, enquanto meus fragmentos coloridos não se achegarem, fico dessa forma cabisbaixa e murcha, sem gosto de vida, sem vontade de brincar, mesmo com as palavras.

E com a vida quebrada.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 22h29 [   ] [ envie esta mensagem ]






SONHO DE PODER

 

Ah! ser dona do mundo

e mãe de todos os homens,

acalentá-los num único abraço,

transformar-me, de inesperado,

em coadjuvante divina,

soprar-lhes a vida e a graça,

viajando ao início do caos,

de um enorme e fecundo ventre

doá-los à luz novamente,

ser mãe dos homens todos,

junto a eles, irmanada,

ser-lhes o ser e o tempo,

possuí-los em mim,

carregá-los nos braços,

sem cruz e sem morto passado,

só a esperança à frente

a guiar-nos os passos,

só a clara e límpida madrugada

de um céu lavado, inocente,

que minhas mãos ansiosas

irão desenrolar

feito larga esteira

ante esta vasta orfandade

que então acolherei

em fértil maternidade!

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h03 [   ] [ envie esta mensagem ]




Modernidade

 

 

Não entendo o tempo presente.

Com minha alma medieval,

escura, ambígua, incerta,

vasculho os simbolismos,

tentando me enveredar,

nisto, em que sinto um abismo,

tempo moderno, asséptico, jovial.

Tudo é tão simples, banal,

o mistério não tem mais onde encostar,

no coletivo e no social vai se instalar...

_ mais me incitam os rolos de pergaminhos,

que as claras teclas do computador_

Paradoxo, contra-senso,

não vejo senso no homem,

que deixa de se interrogar.

Consumismo, conformismo,

a moda é massificar.

Que é da interiorização,

do mergulho na beleza,

na tontura, na pureza

de se ser um, único e só?

Minha alma é antiga e moderna,

já que eterna ela nasceu.

Tempo antigo me persegue,

tempo moderno é o meu.

Estou nele, me conformo,

mas, se me escapo, vivo lá.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h37 [   ] [ envie esta mensagem ]




Outro papo curto

 

Charles Darwin, naturalista britânico, sobejamente conhecido, alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da “evolução” e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual.

Esta teoria se desenvolveu no que agora é considerado o paradigma central para os diversos fenômenos da Biologia.

Seu livro “A origem das espécies”, onde ele apresenta seus estudos, apesar de obra científica, não aparenta dificuldade de leitura para leigos, diferentemente de outras literaturas de rigoroso cunho acadêmico.

Fala-se na descoberta de Darwin, usando-se o termo “ evolucionismo”.

Nesse ano, comemoram-se os 200 anos de nascimento desse incansável estudioso e revolucionário pesquisador.

Devido às celebrações desse evento, a imprensa colocou em pauta a eterna polêmica sobre as descobertas darwinianas, que muitos opõem às revelações bíblicas.

A discussão se forma em virtude das afirmativas de que o evolucionismo contraria a crença de que a natureza foi criada por Deus, como se lê no Gênesis. E, nessa controvérsia, aqueles que se colocam contra a teoria evolucionista, se denominam os “ criacionistas”.

Mas, o que causa surpresa é constatar o fato de que a mais renhida polêmica entre evolucionistas e criacionistas ocorre nos Estados Unidos, país campeão em cientistas premiados com o Nobel e onde a produção científica é das mais prolíficas do mundo.

Sabe-se que muitas confissões evangélicas converteram o darwinismo em inimigo a ser combatido e que essas igrejas são poderosas no país.

Há casos sérios de impedimento para que a teoria de Darwin seja ensinada nas escolas.

Vejo uma falta de discernimento nessa mistura de ciência e religião, mesmo porque a Bíblia não é um livro científico, nem deve ser lido e interpretado ao pé da letra.

E, proibir alunos de estudarem matéria básica para o desenvolvimento posterior da Ciência, com argumentos de que eles serão desviados da fé e da religião, é voltar ao obscurantismo medieval.

As discussões sobre esse assunto são relevantes e passam pela coerção e pela quebra da liberdade.

O embate entre evolucionistas e criacionistas parte de premissas errôneas, já que há eminentes cientistas que são crentes em Deus e não vêem nisso nenhuma contradição com o darwinismo.

O problema é que as pessoas que contestam Darwin não suportam a idéia de que o homem, juntamente com todas as outras espécies, descende de um ancestral comum, enquanto na Bíblia a revelação coloca o Homem no centro da criação, o único “criado” à semelhança de Deus.

Essa polêmica talvez se estenda ainda por tempo indeterminado. Mas, as pessoas, mesmo com sua fé religiosa, deveriam saber que, sem as pesquisas no campo das ciências, a própria permanência do homem na terra ficaria ameaçada de alcançar um futuro.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 14h31 [   ] [ envie esta mensagem ]




Instantâneo

 

faça silêncio e ouça

a chuva compõe música

mil dedos pingando

nos beirais de nossa janela  

 

é a canção mais pura

ouçamos abraçados

na melancolia gostosa

que o instante vai acabar

 

a chuva canta,

canta pra nós

nus e edênicos

donos do mundo

 

sua cabeça em meu ventre

minhas mãos em seus cabelos

ouçamos a trilha sonora

do calor que criamos

nesse corpo-a-corpo

no instante que vai acabar.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 09h27 [   ] [ envie esta mensagem ]




Papo curto III

 

 

 

Já são passados 10 anos da morte do calouro Edison Tsung durante um trote na Universidade de São Paulo, mas, a recepção violenta aos novos estudantes continuam no país. Foi mais ou menos isso que depreendi das notícias que me surpreenderam nos jornais de hoje.

A mãe, chorando, ao lado do filho que apresentava hematomas e escoriações pelo corpo, era o retrato da decepção. O rapaz havia saído do hospital, onde fora internado em coma alcoólico, ao ser coagido a ingerir bebida de álcool, em excesso. E o rapaz declarou que não voltará à Universidade, onde ingressara no Curso de Veterinária.

Outros trotes violentos e agressivos estão acontecendo em inúmeras escolas.

Assim como é  lamentável essa “instituição” do trote universitário, mais decepcionante ainda é a atuação das universidades que enxergam nisso um sinal de prestígio.

Quando os casos são levados à justiça, as escolas falam em abrir sindicâncias, em punir os veteranos, mas, geralmente não ocorrem os castigos devidos aos culpados.

Tenho, na própria família, uma história triste da desistência de uma prima de cursar a faculdade para a qual conseguira vaga. Foi tal o estado de humilhação a que foi submetida, que ela, ainda jovem e insegura, não conseguiu ânimo para reingressar, necessitando mesmo de ajuda terapêutica para vencer o estado depressivo.

Acredito ser o pensamento de todos nós, que depois de exaustivos e penosos esforços para alcançar um lugar numa universidade, o aluno mereceria aplausos e celebrações.

Ao invés disso, assistimos às cenas de calouros rolando em lama e excrementos, sendo forçados a ações que lhes tiram a dignidade, como lutar sem roupas, ou ficarem amarrados uns aos outros.

Considero essas atitudes dos veteranos como advindas de um sadismo e de uma crueldade sem nome.

E as justificativas de que o “trote” serve para integração, para desinibir os novatos, ou ainda para não quebrar a tradição, não são válidas, diante da maneira com que o trote é aplicado, chegando ao cúmulo de levar um estudante à morte.

É preciso mudar essa forma ridícula e selvagem de “homenagear” nossos calouros, antes que ela se torne mais um desestímulo ao ingresso à Educação superior, de que o país tem tanta urgência.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h34 [   ] [ envie esta mensagem ]




Notas dos meus rascunhos

 

Li o livro “O filho eterno”, de Cristóvão Tezza, e o reli.

E continuo com as linhas do livro a girarem dentro de mim, como um carrossel de sentimentos difusos e contraditórios. Tenho certeza de que o lerei ainda mais vezes.

O livro é um relato autobiográfico, desde o nascimento, do primeiro filho, Felipe, portador de Síndrome de Down, até a idade de 28 anos do menino, quando a narrativa se interrompe.

Não se trata aqui de uma resenha da obra, mas do seu impacto, que ainda não avaliei inteiramente, sobre mim, que possuo um filho com a mesma anomalia de Felipe.

As coincidências com minhas próprias referências e disposições de ânimo são tantas, que até a idade do menino é quase a mesma do meu filho.

Cristóvão Tezza, escritor bastante laureado pelas obras anteriores, alcançou o prêmio Jabuti, com esse livro, que foi indicado como o melhor romance do ano de 2007.

Não se trata da narração melosa ou cheia de sentimentalismo e amargura pelo fato de ser pai de um filho “anormal”, como ele se refere a Felipe. Porém, são linhas repassadas de uma busca dolorida da compreensão do acontecido.

Tezza, como um narrador em terceira pessoa, desfibra os meandros de seus pensamentos acerca da realidade e de sua incrível falta de adaptação no que ele nomeia de “sistema”.

Discorre sobra sua vocação e seus planos de escrever literatura. Coloca o encontro de sua identidade, justamente nesse projeto de escrita, enquanto fala de sua trajetória de vida, antes do filho e durante esses anos de convivência com o menino.

Entretanto, o livro chocou-me por me ver retratada nele, em vários instantes em que o autor, num frio raciocínio, devaneia, com alívio, sobre a morte precoce do filho “mongolóide”, pelo qual ele ainda não sente nenhuma ligação no início. Ele expõe corajosamente e sem falso moralismo os mais recônditos e cruéis pensamentos sobre a vontade de se “ver livre desse filho”.

O livro é denso e mergulha em frases que se abrem para infindáveis conceitos sobre a existência e sua multiplicidade de ângulos.

Mas, os momentos em que as revelações sobre as “anomalias” do filho vão se apresentando transportaram-me aos solavancos para uma viagem sombria, que um dia já realizei: com a mesma profundeza das dores e revoltas surdas, que Tezza, como se tivesse se apropriando de minhas próprias emoções, coloca nas páginas do livro.

É uma obra literária digna de ser premiada, com louvor, como está sendo. Recomendo a leitura. Mesmo para quem não possui um filho Down, o percurso do livro enriquecerá sobremaneira a sensibilidade e ampliará a compreensão desse mundo caótico.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h26 [   ] [ envie esta mensagem ]




Enigma

 

 

complicado saber

onde começa a trama

 

circunstâncias quase infinitas

cruzamentos fortuitos

correntezas de planos

 

onde inicia o homem,

o amante, o habitante

de meus braços?

 

onde termina o prazer

do simples afeto

sem afetação?

 

difícil discernir

onde a nascente,

e se houve poente...

 

suposições

sobrepondo

surpresas

do ser.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h21 [   ] [ envie esta mensagem ]




Papo rápido

 

 

“Somos criados à base de medos e chavões...”

 

Li essa frase que Daniel Piza, colaborador do jornal O estado de São Paulo, escreveu no Caderno de Cultura, de domingo passado.

Fiquei a refletir nessa afirmação e na crua verdade que ela traduz.

Somos, sim, criados e educados, na imensa maioria, num círculo de frases e lugares-comuns, aos quais nunca dedicamos uma maior e devida atenção.

Esses chavões vêm quase sempre embutidos em conselhos, admoestações e até mesmo elogios, embasados em clichês sem fundamentos científicos comprobatórios. Crescemos como que seguindo provérbios e ditos populares.

E por não examinarmos o que ouvimos, desde a idade bem tenra, seguimos por trilhos antecipadamente traçados com nosso próprio e descuidado consentimento.

É comum os primeiros educadores, geralmente aqueles que formam a constelação familiar, nos direcionarem os caminhos, a vocação, a vida até, pela simples forma de nos moldarem a consciência insipiente com suas “falas” impensadas.

Quando crianças, nos são narradas as histórias de fadas, onde o curso normal do enredo segue sempre o discurso moralizante de que o prêmio cobiçado é para a obediência, para a conformação, para a beleza física, para a ingenuidade.

Para nós, mulheres da minha época, a mensagem aparece menos escamoteada, nesses contos de fadas, já que as heroínas são um modelo de docilidade e atitudes passivas. São contempladas, no infalível “happy end”, com o casamento convencional, onde “serão felizes para sempre”.

Aliás, nada muito diferente das atuais novelas televisivas para os adultos, onde permanece o final feliz dos contos de fada.

Os chavões se ocultam nas entrelinhas de nossa educação pueril, onde nossas inocentes peraltices são encaradas como faltas e falhas, merecedoras de castigos. A curiosidade da infância, a energia exuberante, a vontade de desbravar mundos, a capacidade de surpreender-se e de maravilhar-se, todas essas faculdades costumam ser tolhidas ou percebidas como erros.

Então, nascem e florescem as culpas, os medos, as ansiedades, as frustrações, e, a partir daí, a desistência precoce de muitas tentativas e buscas ousadas.

Há exceções em toda essa tese, mas a maioria das normas e conceitos que interiorizamos, proveio da formação eivada de clichês que, inadvertidamente, ou, não, nos foi inculcada lá em nossos longínquos berços.

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 19h00 [   ] [ envie esta mensagem ]




Desafio

 

 

naquela manhã rajada

desabrochei em cores

os passarinhos me falando a voz

as pedras dizendo meu silêncio

e depressa

desfiei meu sonhar _acordada_

antes que tivesse

que fechar e abrir as mesmas portas

conversar de palavras certas

provar de alimento preparado

e usar as coisas manufaturadas

pelos homens...

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 20h57 [   ] [ envie esta mensagem ]




Insônia

 

quero dormir, não posso...

ressoam tambores

e disparos de canhões,

são muitos os ruídos

desta guerra antiga e nova,

não só os ouvidos captam

esse infernal símbolo de morte

mas meu ser todo penetra

e se envolve

na insensata festança,

meus lamentos e gemidos

são pelas guerras

guerras todas,

de matanças e vivências,

minha insônia é pela dor

espalhada, desvairada,

sem rumo, sem direção,

dor inteira, do mundo inteiro,

abrangente,

misteriosa, arrogante,

não durmo porque há guerra,

e mundo, e dor.

 

Dora Vilela



 Escrito por Dora Vilela �s 15h56 [   ] [ envie esta mensagem ]







 
 
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